A Polícia Civil de Mato Grosso investiga a estrutura financeira atribuída ao grupo de Angélica Saraiva de Sá, conhecida como Angeliquinha, apontada pela corporação como uma das lideranças do Comando Vermelho (CV) no extremo norte do estado. As apurações envolvem suspeitas de tráfico de drogas, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Durante entrevista nesta quarta-feira (21), o delegado Victor Hugo Caetano de Freitas afirmou que a Operação Showdown busca atingir recursos e bens que, segundo a investigação, estariam relacionados às atividades criminosas atribuídas ao grupo.
O delegado citou medidas patrimoniais envolvendo imóveis, veículos e valores em contas bancárias. Segundo ele, o objetivo é descapitalizar a organização criminosa e avançar sobre os recursos investigados.
Victor Hugo também afirmou que a polícia apura o possível uso de empresas de fachada para lavar dinheiro e beneficiar integrantes da família de Angeliquinha. A suspeita integra a investigação, mas não significa que todas as pessoas ou empresas mencionadas tenham responsabilidade criminal comprovada.
A Operação Showdown apura suspeitas de movimentações financeiras de alto valor relacionadas ao grupo. Conforme informações divulgadas anteriormente pela Polícia Civil, a investigação identificou movimentações superiores a R$ 20 milhões em aproximadamente 19 meses.
A apuração envolve suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de negócios empresariais e possíveis recursos provenientes de atividades criminosas. A polícia também investiga conexões com o tráfico de drogas e atividades relacionadas a garimpos na região de Alta Floresta e Nova Bandeirantes.
Na entrevista, Victor Hugo afirmou que Angeliquinha teria movimentado grandes quantias e que a investigação busca identificar o caminho dos recursos. Ele também mencionou medidas de sequestro de bens e valores, que dependem das decisões judiciais e dos procedimentos legais aplicáveis.
O bloqueio ou sequestro de patrimônio durante uma investigação não equivale, por si só, a uma condenação ou à comprovação definitiva da origem ilícita dos bens.
O delegado afirmou que os recursos e bens alcançados pelas medidas poderão retornar aos cofres públicos, conforme os procedimentos legais. A destinação definitiva, contudo, depende do andamento dos processos e das decisões das autoridades competentes.
A investigação financeira é uma das frentes relacionadas à Operação Showdown, que também apura a atuação do grupo criminoso e a possível participação de familiares e outras pessoas.
Angeliquinha foi capturada na Bolívia em setembro e recambiada para Cuiabá em 20 de outubro. Ela cumpre Regime Disciplinar Diferenciado (RDD) na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, por determinação judicial.
A Polícia Civil afirma que continuará analisando materiais para aprofundar as investigações sobre o patrimônio, as movimentações financeiras e a possível estrutura de apoio ao Comando Vermelho.
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