Yasmim Souza Menezes, filha da empresária e professora Jéssica Santiago Souza, de Pontes e Lacerda, usou as redes sociais para acusar o médico responsável pela cirurgia que terminou em tragédia de não possuir autorização para realizar o procedimento. Segundo ela, tanto o profissional quanto sua esposa teriam enganado a família ao afirmar desconhecer a causa da morte. O laudo oficial apontou perfurações no pulmão de Jéssica.
A cirurgia ocorreu em 17 de fevereiro, em Tangará da Serra. Yasmim explicou que o objetivo não era apenas estético, mas também corrigir complicações de procedimentos anteriores, como excesso de pele e nódulos infeccionados, além de uma lipoaspiração complementar.
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“Ela tinha muitas peles flácidas ainda, pra quem não sabe, minha mãe é pós-bariátrica. Então, assim, não é uma cirurgia que minha mãe ficava ‘ah, vou fazer por estética’, não, a minha mãe... só quem é um pós-bariátrico sabe a dor que é, sabe as necessidades, quem tem pele sobrando sabe como é, minha mãe precisava, então eu espero que depois desse vídeo os comentários maldosos que fizeram na internet parem, porque não é fácil para mim, como filha, e para a família estar lendo essas coisas”, disse.
A jovem contou que, ao chegar ao hospital após ser informada de que a mãe estava na UTI, recebeu a notícia do falecimento.
“A única coisa que falaram para mim e para minha avó é que minha mãe foi apagando igual a uma luz quando está ficando fraca e vai desligando, minha mãe foi desligando assim. [Disseram] que eles fizeram de tudo para salvar a vida dela, só que ela não teve nenhuma volta, em momento nenhum”, relatou.
Segundo Yasmim, o anestesista foi quem percebeu primeiro que havia algo errado.
“Falaram, inclusive, que quem percebeu que minha mãe não estava bem foi o anestesista, que avisou eles, que em momento nenhum a saturação da minha mãe tinha abaixado, que eles não sabiam explicar o que tinha acontecido com a minha mãe, foi literalmente isso”.
Ela acrescentou que os médicos compareceram ao velório e, dias depois, disseram que a lipo havia sido feita apenas na parte superior das costas.
“Era isso que a gente sabia, que a minha mãe teve algum problema no início da cirurgia, que ela mal tinha iniciado a lipo dela, foi feita na parte de cima das costas e simplesmente morreu, simplesmente apagou igual a uma luz”.
Descobertas posteriores
Yasmim afirmou que só teve acesso às reais causas da morte ao receber o atestado de óbito.
“Assim que eu peguei o atestado de óbito eu vi lá: insuficiência respiratória, pneumotórax e trauma torácico. E aquilo não fazia sentido para mim. Naquele momento eu só não entendia da insuficiência respiratória, do porquê ela teve insuficiência respiratória, porque se não fosse [isso] ela não teria tido os outros dois. Qual era o motivo? E ninguém me respondia”.
Segundo ela, os médicos justificaram que o trauma torácico e o pneumotórax seriam consequência das tentativas de reanimação, mas não explicaram a insuficiência respiratória.
“A gente que é família, não estava conformado com tudo isso então fomos atrás de documentos. Primeiro a gente foi atrás do laudo do IML, (...) que comprovava que a minha mãe teve diversas [lesões cirúrgicas] pelo corpo, ou seja, não foi só a parte superior das costas que foi mexida. O laudo do IML também constatou as perfurações no pulmão, três perfurações (...) por instrumento perfuro contundente, então, assim, foi um baque, nada do que falaram para a gente era real”.
O prontuário hospitalar também revelou que a lipoaspiração foi realizada em braços e pernas, contrariando a versão inicial.
“Ali também eu vi que a queda da saturação da minha mãe aconteceu, mas no dia da morte não foi isso que eu ouvi. Então são muitos questionamentos, muitas coisas que precisam ser esclarecidas”.
Relembrando o caso
A empresária Jéssica Santiago Souza, de 33 anos, morreu durante uma lipoaspiração em Tangará da Serra. Laudos da Politec confirmaram que ela sofreu pneumotórax bilateral após ter os pulmões perfurados por uma cânula de sucção. A Polícia Civil indiciou dois médicos por homicídio culposo, apontando imperícia na execução da cirurgia. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público, que agora avalia as responsabilidades criminais.
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