Sábado, 04 de Abril de 2020, 08h:00

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Cuiabá ficou 469 dias sem registrar feminicídio, aponta dados da Sesp

Por: LUIS VINICIUS

Um balanço feito pela Secretaria de Segurança Pública (Sesp) aponta que Cuiabá ficou 469 dias sem registrar feminicídios. De acordo com a pasta, o último crime desta natureza ocorreu em dezembro de 2018. Ou seja, o homicídio ocorrido na noite de sexta-feira (2), no bairro Jardim Gramado, quebrou a marca de um ano, três meses e 12 dias sem assassinatos de mulheres cometidos em razão do gênero.

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 Raony Silva de Jesus, 27 anos, foi preso em flagrante

O último feminicídio registrado pelo Polícia Civil foi no dia 19 de dezembro de 2018. Odineia Porfiria Miltes, 30, foi assassinada com vários golpes de faca em sua residência, no Distrito da Guia, em Cuiabá. O crime aconteceu por volta das 3 horas da madrugada.

Os policiais militares que atenderam a ocorrência informaram que quando chegaram à residência da vítima, o corpo de Odineia estava caído todo ensanguentado. A mulher sofreu diversos golpes e por pouco não teve a cabeça tirada do corpo. 

O marido dela, Carlinho Hipólito da Silva, foi localizado nas proximidades onde aconteceu o crime. Ele parecia estar alcoolizado e falava “coisas desconexas”. Ele foi preso em flagrante e responde pelo crime de feminicídio.

Após este brutal assassinato, a capital mato-grossense ficou sem registrar esse tipo de ocorrência durante todo o ano de 2019 e nos três primeiros meses de 2020. No entanto, a Polícia Civil voltou a registrar crimes desta natureza. Desta vez, o autor foi o estudante de Direito, Raony Silva de Jesus, 27 anos. 

Em seu condomínio, ele matou com mais de 20 facadas, a operadora de caixa Aline Gomes de Souza, 20 anos. O homem teria executado a vítima após descobrir uma possível traição dela por meio do WhatsAPP Web. O universitário foi preso em flagrante e também deverá responder por feminicídio.

A defensora pública, coordenadora do Núcleo de Defesa da Mulher em Cuiabá, Rosana Leite, acredita que os trabalhos preventivos realizados órgãos públicos têm ajudado para que esse tipo de crime reduzisse.  

defensora rosana leite

 Defensora Rosana Leite

“Eu quero acreditar que o trabalho que nós estamos realizando tem feito uma diferença na vida das mulheres. Espero que as ações preventivas conscientizem os homens e faça com que o feminicídio diminua não só em Cuiabá, mas como em todo Mato Grosso”, disse.

À reportagem, a defensora classificou a morte de Aline como "trágica" e afirmou que o número de violência contra a mulher tem aumentado devido as vítimas ter se encorajado e denunciado os agressores.

“Nós ficamos um ano sem este tipo de morte em Cuiabá e esse ano, infelizmente, já tivemos a morte da Aline. Uma morte trágica. Eu entendo que a violência doméstica familiar sempre existiu. Apesar de termos diminuído o número de feminicídio, eu acredito que a violência contra a mulher sempre existiu. No entanto, hoje é obrigatório que esses números (de violência doméstica) sejam divulgados e por isso, acabam aparecendo de maneira mais ampla.

Já a coordenadora de Polícia Comunitária e Direitos Humanos da Polícia Militar, tenente coronel Emirella Perpétua Souza Martins acredita que o trabalho conjunto das instituições públicas tem ajudado na redução dos crimes contra as mulheres.

“O resultado de 2019 foi reflexo do trabalho de várias instituições envolvidas para o fim da violência doméstica. Temos uma câmara temática de defesa da mulher da Secretaria de Segurança Pública muito compromissada com a proteção da vítima, com ações concretas. E todas as instituições envolvidas, como a Polícia Militar, estão trabalhando intensamente para mantermos a redução da violência doméstica, não só em Cuiabá, mas em todo Mato Grosso”, concluiu.

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