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Polícia Quarta-feira, 02 de Setembro de 2026, 10:27 - A | A

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Quarta-feira, 02 de Setembro de 2026, 10h:27 - A | A

QUADRILHA DE SP

Criminosos se passavam por moradores para monitorar apartamentos em Cuiabá

Grupo criminoso monitorava imóveis de alto padrão, confirmava a ausência das vítimas e chegou a causar prejuízo de R$ 300 mil em uma única ação

SILVÉRIO ALMEIDA
Da redação

PJC-MT

OPERAÇÃO SACRILEGIUM 2

As investigações da Operação Sacrilegium revelaram que o grupo criminoso de São Paulo investigado por furtos em condomínios de alto padrão de Cuiabá utilizava uma estratégia para verificar se os apartamentos estavam vazios antes de invadi-los. Em um dos casos, um dos suspeitos chegou a se passar por morador para entrar no condomínio e permanecer escondido até a saída da vítima.

O episódio ocorreu em 13 de abril de 2025, em um apartamento no bairro Duque de Caxias, em Cuiabá. Segundo a investigação, um dos integrantes entrou no condomínio antecipadamente, apresentando-se falsamente como morador. Depois, permaneceu em pontos do prédio que não eram alcançados pelas câmeras de segurança.

Enquanto isso, outro integrante do grupo foi até a portaria e perguntou especificamente pela moradora. A abordagem serviu para confirmar que ela havia deixado o apartamento.

Com a informação de que o imóvel estava vazio, o suspeito que permanecia dentro do edifício seguiu até o apartamento pelas escadas. Ele arrombou a porta de acesso pela cozinha e vasculhou gavetas em busca de objetos de valor.

Durante o furto, foram levadas joias, peças de ouro, pérolas, pedras preciosas e dinheiro em moeda brasileira e estrangeira. O prejuízo da vítima foi inicialmente calculado em aproximadamente R$ 300 mil.

LEIA MAIS: Polícia mira grupo que viajava de São Paulo para furtar imóveis de alto padrão em Cuiabá

GRUPO MONITORAVA POSSÍVEIS ALVOS

De acordo com as apurações, a atuação não ocorria de forma improvisada. Antes dos furtos, os investigados levantavam informações sobre os moradores, endereços dos condomínios, localização dos prédios e formas de acesso aos imóveis.

As investigações apontaram ainda que diferentes condomínios de Cuiabá eram avaliados como possíveis alvos. Os integrantes trocavam informações em tempo real sobre as condições encontradas em cada endereço e, a partir dessas informações, decidiam se seguiriam ou não com a ação.

A Polícia Civil também identificou uma divisão de tarefas entre os integrantes. Enquanto um deles entrava no prédio e executava o furto, outro verificava se a vítima estava no imóvel. Os demais permaneciam nas proximidades para dar suporte à ação e garantir a saída do grupo.

VIAGEM DE SÃO PAULO A CUIABÁ

As diligências também permitiram acompanhar a movimentação do grupo e identificar o veículo utilizado nos deslocamentos. No caso do furto ocorrido em abril de 2025, registros de monitoramento e de concessionárias de rodovias indicaram que o veículo entrou em Mato Grosso no dia anterior ao crime e deixou o Estado poucas horas depois da invasão, seguindo em direção a São Paulo.

O segundo inquérito conduzido pela Delegacia Especializada de Roubos e Furtos (Derf) apura outro furto ocorrido em 19 de setembro de 2025, também em Cuiabá. Na ocasião, a atuação da Polícia Civil resultou na apreensão do veículo e de aparelhos celulares utilizados pelos investigados.

A análise dos elementos reunidos nos dois casos permitiu à Polícia Civil identificar os integrantes do grupo e individualizar a participação de cada um nas ações investigadas.

A Operação cumpre 20 ordens judiciais contra integrantes do grupo investigado. As medidas incluem 12 mandados de busca e apreensão, um mandado de prisão preventiva, um de internação de adolescente, três ordens de quebra de sigilo bancário e três de bloqueio de valores de até R$ 300 mil.

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