A fuga de Angélica Saraiva de Sá, a “Angeliquinha”, de uma penitenciária feminina de Cuiabá, em agosto de 2025, não teria interrompido a atuação dela na liderança do Comando Vermelho em Mato Grosso. Segundo a Polícia Civil, mesmo escondida em Santa Cruz de la Sierra, na Bolívia, ela mantinha contato direto com integrantes subordinados e continuava dando orientações à organização criminosa.
A informação foi revelada pelo delegado Victor Hugo Caetano de Freitas, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), durante entrevista coletiva nesta quarta-feira (23), após a prisão da foragida.
“Ela não sai mais da liderança, mesmo quando é presa, e mesmo quando agora está na Bolívia”, afirmou o delegado.
Segundo Victor Hugo, a investigação aponta que Angeliquinha mantinha contato com integrantes hierarquicamente inferiores a ela na estrutura criminosa. A polícia agora busca detalhar como esses contatos eram realizados e qual era a extensão da atuação dela enquanto permanecia fora do país.
A Polícia Civil sustenta que a atuação de Angeliquinha como liderança não teria começado durante o período em que estava foragida. De acordo com o delegado, ela passou a ocupar posição de comando conforme ganhou espaço nas atividades criminosas na região de Alta Floresta e municípios vizinhos.
“Desde que ela começa a se destacar nas atividades criminosas, ela passa a ser a líder da organização criminosa ali naquela região. Então, a partir disso, ela não sai mais da liderança, mesmo quando é presa, e mesmo quando agora está na Bolívia”, explicou.
Ainda conforme a investigação, Angeliquinha também teria mantido influência quando estava presa na Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. O delegado afirmou que ela mantinha uma posição hierárquica entre outras detentas e continuava sendo tratada como liderança dentro da organização criminosa.
CONTATO COM MATO GROSSO
Depois da fuga, em 17 de agosto de 2025, Angeliquinha deixou Mato Grosso e seguiu para a Bolívia. A Polícia Civil identificou que ela estava em Santa Cruz de la Sierra e passou a trabalhar em conjunto com as autoridades bolivianas para localizá-la.
Mesmo longe do estado, segundo o delegado, ela continuou em contato com integrantes da facção.
“Continuava em contato direto com as hierarquicamente inferiores a ela lá em Alta Floresta”, afirmou Victor Hugo.
A investigação agora pretende analisar dados telemáticos para identificar a dimensão desses contatos e compreender qual era a posição de Angeliquinha dentro da estrutura criminosa durante o período em que permaneceu foragida.
BOLÍVIA NA MIRA DA INVESTIGAÇÃO
Além de investigar a manutenção da liderança, a Polícia Civil apura por que Angeliquinha escolheu Santa Cruz de la Sierra para permanecer escondida. A cidade fica em uma região considerada estratégica para o tráfico internacional de drogas, e a polícia investiga se ela possuía alguma função relacionada à entrada, saída ou negociação de entorpecentes pela fronteira.
Segundo Victor Hugo, a permanência dela no local chamou a atenção dos investigadores justamente pela importância estratégica da região para organizações criminosas.
“A gente vê ela como uma posição de destaque ali, porque é uma pessoa de destaque não só para o extremo norte do estado, mas para a facção”, afirmou.
O delegado ressaltou que a real atuação de Angeliquinha na Bolívia ainda será investigada.
PRISÃO
Angeliquinha foi localizada na rua, em Santa Cruz de la Sierra, na terça-feira (22), durante uma ação conjunta entre investigadores brasileiros e autoridades bolivianas. No momento da abordagem, segundo a Polícia Civil, ela apresentou um documento brasileiro falso com outra identidade. A identificação facial e as informações previamente repassadas às autoridades permitiram confirmar quem ela era.
A Polícia Civil também afirma que a foragida realizou procedimentos estéticos durante o período em que permaneceu na Bolívia e teria alterado características do rosto para dificultar o reconhecimento. Ela aguarda os procedimentos das autoridades bolivianas para retornar ao Brasil e ser encaminhada ao sistema prisional de Mato Grosso.
Angeliquinha possui condenações que, segundo a Polícia Civil, somam aproximadamente 260 anos por crimes diversos e seis mandados de prisão em aberto. Entre as condenações está uma pena de 99 anos e 11 meses pelo Tribunal do Júri de Nova Monte Verde pela morte de quatro homens, além de ocultação de cadáver e participação em organização criminosa.
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