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Mundo Sexta-feira, 15 de Maio de 2026, 17:00 - A | A

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Sexta-feira, 15 de Maio de 2026, 17h:00 - A | A

'O futuro da guerra é de robôs autônomos, e isso é assustador', diz Dan Herman

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Como a Ucrânia transformou startups civis em potência de defesa tecnológica em menos de dois anos foi o ponto de partida do painel "A Guerra da Ucrânia e a Aplicação de Novas Tecnologias", realizado no São Paulo Innovation Week (SPIW) nesta sexta-feira, 15. Dan Herman, estrategista de inovação, professor e produtor de documentários radicado em Toronto, relata uma transformação irreversível nos conflitos do século 21: "O futuro da guerra é de robôs autônomos, e isso me assusta a uma profundidade sem paralelo."

A conversa foi mediada pelo jornalista Daniel Gateno, repórter de Internacional do Estadão. Durante o painel, o Herman discutiu a perspectiva construída a partir de seu documentário Made with Bravery (2022). Ele contou do tempo que passou em bases militares ucranianas e descobriu um ecossistema tecnológico em ebulição que contraria a lógica burocrática tradicional. "O que foi incrível na Ucrânia foi a velocidade da inovação, que foi mensurada em semanas", afirma. "Mas o ponto de partida desse ecossistema tecnológico ucraniano foi a necessidade existencial."

Ele relembra que em 2022, voluntários improvisavam drones em garagens com fita adesiva. Já em 2025, o país contou com mais de 500 empresas de tecnologia de defesa produzindo veículos não tripulados, sistemas de inteligência artificial e guerra cibernética.

Herman relata que o mecanismo que viabilizou essa transformação foi a plataforma Brave 1, criada pelo governo ucraniano e liderada pelo Ministério da Transformação Digital para conectar soldados na linha de frente diretamente a desenvolvedores. "O governo é geralmente muito lento e burocrático. Isso nunca teria acontecido se não houvesse uma guerra, porque as regras não se aplicam e precisamos nos mover rapidamente".

Um dos casos mais emblemáticos citados pelo professor é o da startup PetCube, que fabricava câmeras com sensores e lasers para interagir com animais de estimação. O fundador, Yaroslav Azhnyuk, adaptou a mesma base tecnológica para fins militares.

Essa lógica de duplo uso, civil e militar, foi financiada por um programa governamental de capital para fundadores de startups dispostos a testar seus produtos no campo de batalha com ciclo de feedback de apenas uma semana.

A guerra também revelou uma nova assimetria de custos que está redesenhando as doutrinas militares globais. "O míssil Patriot, que custa muitos milhões de dólares por míssil, não é mais eficaz do que um drone de 10 mil dólares iraniano", apontou Herman.

O professor explicou ainda que a guerra na Europa deixou de ser uma disputa bilateral há muito tempo: "Hoje não é mais a Rússia e a Ucrânia. O mundo inteiro está olhando para tecnologia de defesa."

Países do Golfo, do Sudeste Asiático, Japão e Canadá, por exemplo, buscam aprender com o modelo ucraniano para construir suas próprias cadeias de suprimento resilientes sem depender nem dos Estados Unidos nem da China.

Neste ponto, Herman vê uma oportunidade para as chamadas potências médias, entre elas o Brasil. Ele relata que a pressão de Trump sobre o Canadá, referindo-se ao país como "51º estado americano", acelerou uma virada estratégica: "Começamos a pensar 'ok, precisamos fazer mais amigos, amigos diferentes, e também precisamos aprender a ser capazes de fazer as coisas nós mesmos'."

Para Herman, Brasil, Canadá, Coreia do Sul, Japão e Taiwan têm potencial real de colaboração em defesa tecnológica fora do eixo das superpotências.

O debate encerrou com a questão que Herman considera mais urgente e mais perturbadora ao mesmo tempo. Diante das perdas humanas e das pressões demográficas, a robotização do campo de batalha parece inevitável.

Para o professor, a robotização é assustadora porque, ao mesmo tempo que protege vidas de soldados ao substituí-los por máquinas, ela transfere decisões letais para algoritmos e remove o peso sensorial e moral do combate direta.

A integração da Inteligência Artificial levanta questões críticas sobre onde termina o controle humano. Herman questiona se ainda será um humano dirigindo, identificando o alvo ou puxando o gatilho, ou se o ser humano será apenas o último elo nessa cadeia de decisão. Assim, o uso da tecnologia, o professor alerta, poderia tornar a guerra perigosamente abstrata.

SPIW

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, até esta sexta-feira, 15. Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.

No fim de semana, o festival leva uma série de eventos paralelos (side events) gratuitos para quatro Centros Educacionais Unificados (CEUs) da cidade, em parceria com a Prefeitura de São Paulo. São eles: Heliópolis, Freguesia do Ó, Papa Francisco (Sapopemba) e Silvio Santos (Cidade Ademar). Não é necessário fazer inscrição; o acesso será por ordem de chegada, sujeito à lotação dos espaços. A programação gratuita reúne nomes como Marcelo Gleiser, Maria Homem e Ivair Gontijo em debates e experiências imersivas.

(Com Agência Estado)

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