O encontro anual de alto nível da Assembleia Geral da ONU deve ser dominado por conflitos no Irã, em Gaza, na Ucrânia, no Sudão, no Congo e em Mianmar, além da pergunta persistente: os líderes conseguem fazer algo para encerrá-los?
Também entram na pauta a intensificação do aquecimento global, o avanço das desigualdades dentro e entre países e choques na economia mundial, à medida que rotas marítimas e cadeias de suprimentos bloqueadas elevam o custo de vida e desaceleram o crescimento.
O futuro da ONU deve ser outro tema central. Aos 81 anos, a distribuição de poder na organização ainda reflete a ordem do pós-Segunda Guerra Mundial, e não o peso dos principais atores globais do século 21. Os 193 países-membros concordaram com um amplo pacote de reformas, que inclui a atualização de instituições-chave, como o Conselho de Segurança, onde EUA, Rússia, China, Reino Unido e França exercem influência desproporcional por causa do poder de veto. Na prática, porém, tirar as mudanças do papel é muito mais difícil.
Nos bastidores, deve haver especulação sobre quem comandará a organização a seguir. O segundo mandato de cinco anos do secretário-geral Antonio Guterres termina em 31 de dezembro, e ainda não surgiu um sucessor claro.
Apesar das dificuldades, a ONU segue sendo o principal fórum de encontro de seus 193 países-membros. Cerca de 130 chefes de Estado e de governo discursam na Assembleia Geral a partir de terça-feira (22), além de dezenas de ministros.
Entre os principais nomes estarão o presidente dos EUA, Donald Trump, e o presidente da França, Emanuel Macron, que falam na terça-feira, 22, após o discurso de abertura de Guterres sobre o "estado do mundo". O presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, e o presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, discursam na quarta-feira, 23. O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, fala na quinta-feira, 24.
Pelo segundo ano, o presidente palestino Mahmoud Abbas não irá à ONU porque os EUA se recusaram a conceder-lhe visto, mas deve se dirigir à Assembleia por vídeo no mesmo dia. Os EUA, pelo acordo para sediar a organização, são obrigados a permitir que diplomatas de todos os países-membros participem das reuniões.
Tão revelador quanto quem vai é quem não vai. O presidente chinês, Xi Jinping, se encontra com Trump em Washington na quarta-feira, mas não participará do encontro na ONU e enviará um vice-presidente. O presidente russo Vladimir Putin também não irá, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, desistiu da viagem.
O embaixador da França na ONU, Jerome Bonnafont, disse ser "extremamente crítico" que os líderes mundiais apoiem a ONU como espaço de encontro, especialmente em um momento de tanta polarização. "Acreditamos no multilateralismo", afirmou, acrescentando que a semana de alto nível é a ocasião para os países reafirmarem que preferem cooperação e diálogo à confrontação.
A organização vem de um ano difícil e foi colocada à margem em sua responsabilidade central de preservar a paz e a segurança internacionais e de tentar encerrar grandes conflitos no Oriente Médio e na Ucrânia. Além disso, a falta de pagamento, pelos EUA, de bilhões de dólares em atrasados deixou as finanças da ONU sob pressão.
Nos últimos dias, os EUA pagaram US$ 725 milhões de suas contribuições ao orçamento regular neste ano, o suficiente para evitar que o governo Trump perdesse seu voto na Assembleia Geral. O pagamento foi visto como indício de que Trump deve manter os EUA na organização.
A inteligência artificial também ganhou espaço entre as preocupações globais. Dias antes da reunião, líderes de três grandes empresas de IA alertaram sobre o risco de a tecnologia sair do controle humano e pediram uma pausa. Trump, porém, descartou as preocupações como "uma farsa" e defendeu a continuidade dos avanços para manter os EUA à frente da China.
O Conselho de Segurança incluiu uma reunião de alto nível sobre IA na tarde de quarta-feira. No mesmo dia, já estava previsto um encontro de alto nível sobre a Ucrânia, com a presença de Zelenski.
Para Guterres, esta será a última Assembleia Geral com líderes mundiais antes do fim de seu mandato. Ao antecipar pontos de seu discurso, ele disse que o poder está mudando em "uma era de profunda incerteza" e afirmou que, "em um momento em que o mundo enfrenta três ameaças existenciais, a cooperação internacional é mais necessária do que nunca". Fonte: Associated Press.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado.
(Com Agência Estado)
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