Mundo Domingo, 16 de Outubro de 2011, 14:04 - A | A

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VITÓRIA

Israel publica nomes de 477 presos palestinos libertados

Os prisioneiros, distribuídos em 11 prisões israelenses, começaram nesta manhã a ser concentrados em dois centros de detenção

TERRA

AFP

Prisioneiro palestino faz sinal de vitória antes de ser libertado da prisão de Ketzion, em Israel

Israel publicou neste domingo os nomes dos primeiros 477 presos palestinos que serão libertados pelo acordo feito com o grupo radical Hamas em troca do soldado Gilad Shalit, dando início à transferência deles, enquanto associações de vítimas do terrorismo pretendem contestar a medida na Corte Suprema do Estado judaico.

Os prisioneiros, distribuídos em 11 prisões israelenses, começaram nesta manhã a ser concentrados em dois centros de detenção. À prisão de Ketziot Prison, no sul do país, serão enviados os 450 homens; à de Sharon, no centro, as 27 mulheres.

Os beneficiados pela troca são denominados por Israel como "prisioneiros de segurança", enquanto os palestinos os consideram "presos políticos". Na lista, destacam-se nomes como Walid Anajas, condenado pelo atentado a bomba contra o Cafe Moment em Jerusalém, no qual 12 civis morreram e 50 ficaram feridos em 2002, informa a edição online do jornal Jerusalem Post.

Entre os 477 está Nasser Yataima, cérebro do ataque suicida contra o Hotel Park de Netanya no qual morreram 30 civis, Chris al-Bandak, detido por assassinar dois israelenses e ferir outro gravemente, e Musab Hashlemon, condenado a 17 penas de prisão perpétua por enviar dois terroristas suicidas contra um ônibus em Beersheba, num atentado que matou 16 civis em 2004.

Outros dos nomes são Ibrahim Jundiya, que cumpre 12 perpétuas, Fadi Muhammad al-Jabaa, condenado a 18 perpétuas, e Mazen Muhammad Faqha, que articulou o atentado de 2002 contra um ônibus perto de Safed, deixando nove passageiros mortos e 40 feridos.

O movimento Hamas não conseguiu o que desde o início das negociações era uma de suas exigências fundamentais: obter a libertação do carismático líder Marwan Barghouti (do Fatah), do líder Abdullah Barghouti (do Hamas), e o líder Ahmed Saadat (da Frente Popular para a Libertação da Palestina), todos eles condenados a penas de prisão perpétua por assassinato.

Segundo a lei israelense, os cidadãos dispõem de um período de 48 horas para fazer suas alegações ao Tribunal Supremo contra a concessão do perdão, que deverá ser assinado individualmente para cada caso pelo presidente Shimon Peres. Até que a troca seja efetivada, previsivelmente na terça-feira, o Ministério da Justiça manterá aberto um centro de informações para atender às solicitações de dados sobre os presos.

No entanto, associações de sobreviventes e familiares de vítimas de ataques terroristas pretendem levar à Justiça a decisão governamental de libertar os prisioneiros palestinos. A Associação Almagor pediu à Justiça que adie a libertação "para permitir às famílias e àqueles que serão prejudicados pelo acordo a examinar os dados e preparar uma apelação adequada".

"Trata-se de um assunto humanitário de um só soldado contra todo um país que estará em perigo. Esta equação deve ser examinada pela Corte Suprema e não deve ser imune a investigação", declarou o presidente da associação, coronel da reserva Meir Indor, ao jornal Ha'aretz.

Esta organização apresenta duas demandas reivindicações: uma contra a libertação de um número de presos tão amplo e a segunda contra o indulto a alguns casos em particular. Segundo informou neste domingo o Serviço Penitenciário, do total de 477 detentos (dentre eles, 27 mulheres), 131 serão enviados a suas casas na Faixa de Gaza, 108 voltarão a seus lares na Cisjordânia e Jerusalém Oriental e cinco palestinos com cidadania israelense retornarão a suas casas em Israel.

Outros 39 serão exilados e 44 irão também para Gaza, embora estes não sejam originais de lá, da mesma forma que outros 17 que permanecerão expatriados na Faixa durante três anos.

Ao mesmo tempo em que os réus palestinos são transferidos aos postos de controle israelenses, as brigadas de Ezzedeen Al-Qassam - braço armado do Hamas - entregarão o soldado israelense Gilad Shalit, mantido refém desde junho de 2006 quando foi capturado nos arredores de Gaza numa operação que matou outros dois soldados israelenses.

Shalit, que nos mais de cinco anos de cativeiro nunca teve direito a receber assistência humanitária internacional, será levado ao posto de controle fronteiriço de Rafah, onde será entregue às autoridades egípcias, que assumirão sua entrega ao Exército israelense. Representantes do Comitê Internacional da Cruz Vermelha participarão do processo.

A segunda fase da troca será realizada em cerca de dois meses, quando Israel libertará outros 550 presos palestinos cujos nomes ainda serão decididos pelo Estado judaico. Por isso, provavelmente serão prisioneiros que cumprem penas leves.

 

 

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