Em comunicado divulgado pela agência estatal iraniana Irna na quarta-feira, 15, a Guarda Revolucionária afirmou que, se as exportações da região forem interrompidas, elas não estarão disponíveis "para ninguém".
Embora o comunicado não especifique quais corredores poderão ser alvo de novas ações, uma das rotas sob maior atenção é o Estreito de Bab el-Mandeb, entre Iêmen, Djibuti e Eritreia. A passagem conecta o Mar Vermelho ao Golfo de Áden e ao Oceano Índico.
Cerca de 12% do comércio marítimo mundial passa por Bab el-Mandeb, corredor que também dá acesso ao Canal de Suez para embarcações que fazem a ligação entre a Ásia e a Europa.
A importância estratégica da região também está ligada à proximidade com o Iêmen, onde atuam os rebeldes Houthis, grupo apoiado pelo Irã. Durante a guerra entre Israel e o Hamas, os houthis realizaram sucessivos ataques contra embarcações comerciais que cruzavam a rota, obrigando grandes empresas de navegação a desviar seus navios pelo extremo sul da África.
Até então, as ameaças de Teerã estavam concentradas em Ormuz, principal corredor de exportação de petróleo do mundo. Segundo a Guarda Revolucionária, a passagem está e permanecerá fechada enquanto os Estados Unidos não interromperem os "atos de agressão" contra o país.
Ao mencionar a possibilidade de bloquear outros corredores energéticos, porém, o Irã amplia o alcance de sua estratégia de pressão sobre Washington e seus aliados, elevando riscos para o comércio global de petróleo e gás.
No comunicado, a Guarda Revolucionária acusou os Estados Unidos de bloquear a rota do Oceano Índico e afirmou que, diante desse cenário, poderá retaliar fechando outras vias estratégicas.
"O inimigo deve saber que, agora que seus piratas bloquearam a rota do Oceano Índico para a exportação do petróleo e do gás da região para o mundo - medida que coloca em risco os interesses dos rivais econômicos dos Estados Unidos -, deve esperar que outras rotas de exportação de petróleo e gás que atendem aos interesses dos Estados Unidos e de seus aliados também sejam fechadas", afirmou a corporação.
Na sequência, o comunicado acrescenta: "As exportações de petróleo e gás da região estarão disponíveis para todos ou para ninguém."
Do lado americano, o governo de Donald Trump mantém um bloqueio naval para impedir a circulação de embarcações ligadas ao Irã no Estreito de Ormuz e intensificou a ofensiva militar contra o país. Na madrugada desta quinta-feira, 16, forças dos EUA ampliaram os bombardeios e atingiram, pela primeira vez nesta nova fase do conflito, áreas próximas a Teerã.
(Com Agência Estado)
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