O vice-secretário-geral da Jihad Islâmica, Mohammed al-Hindi, confirmou a formação da aliança em entrevista à AP. Segundo ele, a coalizão apoiará "uma lista nacional unificada", que poderá reunir figuras independentes, em vez de membros dos grupos.
A composição incluiria um bloco liderado por Mohammed Dahlan, ex-chefe de segurança do Fatah que rompeu com Abbas e foi exilado em 2010. Antes, ele havia sido expulso de Gaza pelo Hamas. Dahlan mantém hoje laços estreitos com os Emirados Árabes Unidos, onde atua como conselheiro do governante do país, além de contatos com autoridades americanas e israelenses.
A aproximação é incomum: os Emirados lideraram os Acordos de Abraão de 2020, enquanto Hamas e Jihad Islâmica combatem Israel há décadas. A aliança parece refletir, sobretudo, a oposição comum a Abbas. Aos 90 anos, Abbas segue no poder desde que seu mandato expirou, em 2009. Dimitri Diliani, porta-voz da Facção Democrática Reformista de Dahlan, evitou falar em aliança formal, mas confirmou que as facções estão montando uma lista que pretende superar diferenças políticas. Segundo ele, outros grupos palestinos também participam da iniciativa.
O Hamas afirmou em agosto que Dahlan e o líder do grupo Khalil al-Hayya se reuniram no Cairo e discutiram formas de "acabar com a monopolização das decisões nacionais e formular uma estratégia nacional abrangente".
Al-Hindi disse que a nova frente surgiu após fracassarem tentativas de reunir todas as facções palestinas em torno de um consenso. Ao longo dos anos, esforços para incorporar Hamas e Jihad Islâmica à Organização para a Libertação da Palestina (OLP), liderada pelo Fatah, também não avançaram.
Um dos principais entraves é o reconhecimento de Israel pela OLP. O Hamas afirma aceitar a criação de um Estado palestino em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental, mas não reconhece formalmente Israel. A Jihad Islâmica adota posição mais dura. Ambos são classificados como grupos terroristas pelos Estados Unidos e por outros países ocidentais.
Al-Hindi afirmou que a Jihad Islâmica, que historicamente não participa das eleições organizadas pela Autoridade Palestina, não lançará candidatos próprios, mas apoiará "uma lista nacional que seja acordada".
O pleito está previsto em meio à violência persistente em Gaza e na Cisjordânia. Um cessar-fogo em vigor desde outubro de 2025 reduziu os combates mais intensos em Gaza, embora Israel siga realizando ataques e controlando parte maior do território. Segundo o Ministério da Saúde de Gaza, mais de 74 mil palestinos morreram desde o início da guerra. O conflito começou com o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, que matou cerca de 1.200 pessoas e levou 251 reféns.
Pelo plano dos Estados Unidos para implementar o cessar-fogo, grupos palestinos armados deveriam entregar suas armas e Israel se retiraria do enclave. Al-Hindi disse que Hamas e Jihad Islâmica aceitaram o plano, mas acusou Israel de bloquear sua execução. "Quando as obrigações de Israel na primeira fase forem cumpridas, passaremos a discutir a segunda fase, que inclui a questão das armas", afirmou.
A Jihad Islâmica participou do ataque de 7 de outubro e manteve reféns israelenses, mas al-Hindi afirmou que o grupo não participou do planejamento nem recebeu aviso prévio do Hamas. "Pela manhã, fomos surpreendidos pelas notícias na mídia sobre o que havia acontecido, mas, como movimento de resistência, rapidamente participamos desses confrontos", disse.
Ele reconheceu que, diante da destruição em Gaza e do alto número de mortos, cresceram questionamentos entre palestinos sobre o custo da ofensiva. Ainda assim, defendeu que o ataque foi necessário para impedir que a questão palestina fosse deixada de lado em meio à normalização de relações entre Israel e países árabes.
Al-Hindi também reconheceu que o Irã, historicamente um dos principais apoiadores dos grupos militantes palestinos, está agora concentrado na guerra em curso e em um bloqueio econômico dos EUA. Segundo ele, porém, a Jihad Islâmica continuará atuando com ou sem apoio iraniano. Fonte: Associated Press.
*Conteúdo traduzido com auxílio de Inteligência Artificial, revisado e editado pela Redação do Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado
(Com Agência Estado)
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