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Mundo Quarta-feira, 14 de Outubro de 2026, 15:30 - A | A

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Quarta-feira, 14 de Outubro de 2026, 15h:30 - A | A

Groenlândia contesta Trump e afirma estar muto longe da exploração massiva de recursos naturais

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

O vice-ministro de Mineração da Groenlândia, Jørgen Hammeken-Holm, contestou nesta quarta-feira, 14, as declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e afirmou que o território autônomo está "muito longe de uma exploração 'massiva'" de recursos naturais.

Mais cedo, Trump disse em uma publicação na Truth Social que uma "exploração massiva de petróleo, gás e minerais" estava "prestes a começar em nossa nova e bela Groenlândia".

"Há especialistas que afirmam que a quantidade de petróleo de fácil acesso é muito maior do que a encontrada em quase qualquer outro território do mundo e, ainda mais importante, do ponto de vista da segurança, tanto para a defesa quanto para o ataque dos EUA e da Europa, não há nada que se compare a ela", escreveu o republicano.

"Qualquer ataque futuro aos EUA terá de passar pela Groenlândia, onde nossas defesas derrubarão rotineiramente drones, mísseis ou qualquer outra forma de armamento que sequer tenha sido concebida", acrescentou. "Isso nos dá tempo, localização e campo de visão como em nenhum outro lugar do mundo."

Hammeken-Holm reconheceu, em entrevista à emissora americana CNN, que "há atividades de empresas americanas" na região, mas afirmou que a Groenlândia está "muito longe de uma exploração 'massiva'".

"Há várias atividades de exploração de menor escala em andamento, mas elas podem levar anos até se tornarem operacionais", acrescentou.

A parlamentar Naaja H. Nathanielsen, que representa a Groenlândia no Parlamento da Dinamarca, disse à Associated Press que não ficou surpresa nem preocupada com a publicação de Trump.

"É simplesmente assim que o presidente decide se manifestar", afirmou. "Acho que todos nós já esperamos algo do tipo."

Naaja disse que os projetos atuais relacionados à extração de recursos ainda estão a anos de uma possível concretização. Ela afirmou acreditar que o público-alvo da publicação, às vésperas da próxima eleição, eram os americanos preocupados com o preço da gasolina, e não os groenlandeses.

"Reconheço a preocupação nos EUA, mas acho que essa não é uma solução rápida", disse Naaja. "Não haverá petróleo extraído na Groenlândia em um futuro próximo."

A parlamentar também afirmou que não ficou incomodada com o fato de Trump chamar a ilha de "nossa Groenlândia". "É claro que considero isso um tanto desrespeitoso", disse. "Mas também é possível interpretar a expressão como um termo carinhoso, se quisermos ser muito generosos. Neste momento, não dou muita importância a isso."

A Groenlândia, que se encontra na rota mais curta para mísseis entre a Rússia e os EUA, representa uma localização estratégica para o "Domo Dourado", projeto de escudo de defesa proposto por Trump. Também possui reservas de terras raras ainda inexploradas e poderia ser uma região crucial à medida que o degelo polar abra novas rotas marítimas.

Trump assinou um acordo de segurança com os líderes da Groenlândia e da Dinamarca em setembro. Nos termos do pacto de 10 páginas, os EUA construirão duas bases militares no sul e no leste da Groenlândia.

As bases serão estabelecidas em Narsarsuaq, no sul da ilha, e em Mestersvig, no leste, além da base de Pituffik, que já opera no norte.

*Com informações de agências internacionais.

(Com Agência Estado)

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