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Mundo Segunda-feira, 05 de Outubro de 2026, 13:30 - A | A

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Segunda-feira, 05 de Outubro de 2026, 13h:30 - A | A

Adolescente perde a mão ao pegar granada atirada pela polícia em protesto estudantil na França

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Um jovem de 15 anos perdeu uma das mãos nesta segunda-feira, 5, ao pegar uma granada policial, durante protesto estudantil na França. Os manifestantes exigem melhores condições nas salas de aula. A onda de revolta já dura dias e que resultou em incêndios e barricadas em algumas escolas, além de interromper as aulas em centenas de instituições pelo país.

Alguns alunos retornaram às salas de aula, mas outros mantiveram os protestos do lado de fora, antes de manifestações maiores previstas para terça-feira - evento que um sindicato de estudantes do ensino médio chamou de "Ato III" do movimento.

Autoridades informaram que o adolescente ficou ferido na cidade de Lens, no norte do país. Uma fonte sindical policial afirmou que ele aparentemente pegou uma granada de efeito moral (do tipo *sting-ball*) disparada pela tropa de choque, e que o artefato explodiu em sua mão.

Falta de professor e infraestrutura precária

Desde o final de setembro, estudantes têm bloqueado as entradas de centenas de escolas, queixando-se de ausência de professores, horários sobrecarregados, salas de aula em mau estado de conservação e prédios mal adaptados às temperaturas em elevação, entre outras reivindicações.

"Está claro que o sistema educacional não está funcionando", disse à AFP Alma, aluna do Lycée Charlemagne, no centro de Paris.

Eleições na França

A onda de agitação surgiu poucos meses antes das eleições de 2027, que definirão o sucessor do presidente centrista Emmanuel Macron.

O governo tem tentado responder às reivindicações, ao mesmo tempo em que acusa ativistas de extrema-esquerda de terem se apropriado do movimento de protesto.

"Eles acham que, só porque nos deixam expressar em uma plataforma ou na internet, vamos parar de bloquear o acesso e de sentir raiva; mas essa raiva existe há anos", disse Simon, também aluno do Lycée Charlemagne.

A Liga Francesa de Direitos Humanos (LDH) acusou, nesta segunda-feira, 5, as forças de segurança de utilizarem métodos desproporcionais contra os manifestantes, muitos dos quais são legalmente menores de idade.

"Percebemos que, nas instruções dadas à polícia, não há diretriz para agir com moderação, embora estejam lidando com crianças", afirmou a presidente da LDH, Nathalie Tehio.

24 escolas danificadas

Mais de 400 das 3.700 escolas de ensino médio da França - conhecidas como *lycées* - estavam parcial ou totalmente fechadas na manhã desta segunda, segundo o Ministério da Educação. No centro de Paris, dezenas de estudantes adolescentes protestaram em frente a uma escola enquanto motoristas que passavam buzinavam. Alguns colegas entraram no prédio para assistir às aulas.

"Estamos perdendo nossas aulas para dar uma lição a vocês", dizia um cartaz de papelão em frente à escola de ensino médio Turgot, em Paris.

Em Bordeaux, no sudoeste do país, alguns alunos voltaram para a sala de aula, enquanto outros continuaram a protestar sob a vigilância da tropa de choque.

Alguns manifestantes em frente à escola Gustave Eiffel dispararam fogos de artifício em direção aos policiais, que responderam com gás lacrimogêneo; no entanto, a situação permaneceu calma de modo geral, segundo repórteres da AFP.

Greve de professores

O movimento começou em 17 de setembro em uma escola de ensino médio no subúrbio parisiense de Créteil, em apoio a professores que faziam greve devido à falta de pessoal e de recursos.

O movimento ganhou força e se espalhou pela França, por vezes descambando para o vandalismo, incluindo a destruição de pontos de ônibus, incêndios nas entradas de escolas e confrontos entre manifestantes e forças de segurança.

Desde o início do movimento, 24 escolas foram incendiadas ou depredadas, segundo o ministro da Educação. Mais de 5.000 pessoas - 85% delas menores de idade - foram detidas.

Manifestantes também acusaram a polícia de uso excessivo da força, e investigações internas foram abertas sobre pelo menos três casos de suposta brutalidade policial.

'Responsabilidade dos pais'

No domingo, o primeiro-ministro Sébastien Lecornu instou as autoridades locais a priorizarem o preenchimento de lacunas deixadas por ausências prolongadas de professores e cargos vagos.

Ele convocou uma reunião para terça-feira com presidentes regionais para discutir a reforma das instalações escolares do país, muitas vezes em estado precário.

O governo também está promovendo uma legislação para obrigar os responsáveis por danos ao patrimônio público a pagar pelos reparos, em vez de utilizar recursos públicos.

A porta-voz do governo, Maud Bregeon, defendeu o projeto de lei.

"Quando se tem jovens de 14, 15 ou 16 anos que, às 9 da manhã, estão incendiando pontos de ônibus ou - o que talvez seja ainda mais grave - a escola onde estudam, isso levanta a questão da responsabilidade dos pais", disse ela à emissora Europe1/CNews. Lecornu afirmou que o projeto de lei poderia permitir a recuperação de valores de indenização a partir de auxílios familiares e benefícios habitacionais, preservando, ao mesmo tempo, um patamar mínimo de renda.

A líder do principal sindicato trabalhista, a CGT, Sophie Binet, criticou duramente o que classificou como um "anúncio populista", afirmando que a medida "acabaria por atingir as famílias mais vulneráveis".

Adesão aumenta

Estudantes universitários também aderiram ao movimento desta quinta-feira, bloqueando o acesso físico a cerca de 30 campi, incluindo universidades em Paris e na cidade de Marselha, no sul do país, informou um sindicato estudantil.

Na cidade de Nantes, no noroeste da França, bombeiros tiveram de intervir para apagar um incêndio na entrada de uma escola de ensino médio "após uma manifestação marcada por violência contra funcionários", informou o conselho regional de educação.

Autoridades regionais relataram "atos de violência nas proximidades de escolas de ensino médio", principalmente em Nantes, responsabilizando "indivíduos violentos" que "se juntam aos estudantes para cometer atos de vandalismo".

(Com Agência Estado)

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