Sexta-Feira, 21 de Fevereiro de 2020, 11h:22

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Desembargador cita que delação de Riva servirá para educar e conscientizar

Por: FERNANDA ESCOUTO

Ao homologar a delação premiada do ex-presidente da Assembleia Legislativa José Geraldo Riva, o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso Marcos Machado afirmou que  os fatos relatados no documento servirão para conscientizar e educar a população mato-grossense. 

Alan Cosme/HiperNoticias

jose riva

 

De acordo com Machado, o conteúdo da colaboração envolve supostas condutas ilícitas atribuídas a ex-parlamentares e gestores, ocupantes de mandatos e cargos públicos e servidores públicos, além de empresários e pessoas jurídicas, que formaram quadrilha, posteriormente associação e aparente organização criminosa ao longo de mais de duas décadas. 

“A relevância do conteúdo delatado deve ser retratada pela historiografia ao discorrer sobre o poder político no Estado de Mato Grosso, nos últimos 20  anos, na esperança que eduque e conscientize a população mato-grossense, especialmente os jovens”, disse o magistrado em documento assinado nesta quinta-feira (20).

Ainda conforme o desembargador, a conduta de Riva acabou institucionalizando a corrupção nos poderes Legislativo e Executivo, a ponto de alcançar, em tese, membros do Poder Judiciário, entretanto para Machado é necessário o restabelecimento da verdade.

“A revelação de fatos deve ser admitida para restabelecimento da verdade, embora muitas vezes tenha carga equiparada à “traição” e impunidade, com delatores vilanizados tal como Silvério dos Reis [delatou os inconfidentes mineiros à Coroa Portuguesa em troca de não ser processado, da sustação de suas dívidas, da liberação das suas fazendas, preferência de seus créditos e ressarcimento dos prejuízos experimentados], segundo memória de Paulo Eduardo Razuk”, completou em outro trecho.

Os fatos delatados por Riva foram divididos em 57 caixas box, contendo documentos e declarações sobre as supostas condutas ilícitas praticadas pela organização criminosa.

Delação

Na delação, José Riva relata um esquema de pagamento de propina, chamado de "mensalinho" na Casa de Leis, durante vinte anos, que movimentou R$ 175 milhões.

Conforme o ex-deputado, entre os anos de 1995 a 1998, o líder do Governo e deputados de base recebiam mensalmente R$ 15 mil mensais. A partir de 1998 a 2002, o ex-parlamentar pagava aos colegas a quantia de R$ 20 a R$ 25 mil mensalmente. O ex-presidente da Assembleia gastou com “mensalinhos” aproximadamente R$ 175 milhões.

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