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Esportes Terça-feira, 07 de Abril de 2026, 14:30 - A | A

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Terça-feira, 07 de Abril de 2026, 14h:30 - A | A

SAFiel lança projeto 2.0 para captar R$ 2,5 bi e 'salvar' Corinthians: 'Construir juntos'

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Na manhã em que a Gaviões da Fiel espalhou faixas em protesto no CT do Corinthians, um evento realizado no bairro do Itaim Bibi divulgou a versão 2.0 da SAFiel, um projeto independente que busca captar R$ 2,5 bilhões para tirar o clube da insolvência financeira e transformar o torcedor em acionista.

Diferentemente da primeira divulgação, em outubro, que teve ampla presença da mídia no Museu do Futebol, a nova apresentação foi mais restrita, focando em detalhar as mudanças promovidas após meses de diálogos com associados e lideranças das principais torcidas organizadas do Corinthians.

"Olhei nos olhos de muitos torcedores organizados e só encontrei pessoas genuinamente interessadas pelo Corinthians. Nossa situação chegou em um momento em que o torcedor não sabe mais como protestar. Precisamos lutar pela mudança estrutural. Pelo caminho correto", disse Carlos Teixeira, porta-voz do projeto.

O valor referencial do aporte total para viabilizar o projeto é de R$ 2,5 bilhões, podendo chegar a R$ 3 bi em caso de excesso de demanda, através da emissão de 10 milhões de ações a R$ 250 cada, destinadas exclusivamente a pessoas físicas membros do plano Fiel Torcedor.

O projeto, que se popularizou rapidamente entre os corintianos nas redes sociais, defende a criação de um sistema de "potes" para a distribuição das ações. Um dos destaques da alteração da proposta é oferecimento de cashback para quem deseja aderir ao plano mais popular. Nesse modelo, o torcedor que adquirir uma ação receberá o valor integral em créditos para o seu plano Fiel Torcedor, o que torna o investimento efetivamente gratuito na prática

Além disso, para evitar que o clube seja vendido a um único dono ou grupo econômico, a SAFiel 2.0 introduziu distritos econômicos que agrupam os acionistas conforme a quantidade de ações possuídas.

Esse sistema tem o objetivo de limitar a disparidade do poder de voto e garante que cada distrito, do pequeno ao grande investidor, eleja um representante para o comitê de governança, democratizando as decisões técnicas e éticas

No campo da gestão executiva, o projeto estabelece a criação do cargo de Chief Revenue Officer (CRO), um profissional dedicado exclusivamente à geração de receitas e marketing, operando de forma blindada em relação às pressões e emoções dos resultados esportivos de curto prazo.

Para a escolha dos primeiros gestores, foi definido um rito de nomeação que envolve empresas de recrutamento e um comitê de notórios corintianos que terá o voto de minerva, assegurando que os executivos possuam alta qualificação técnica e adesão aos valores do clube.

O plano também contempla a expansão da Arena para 70 mil lugares, com a reserva estatutária de assentos para famílias e torcedores de baixa renda, visando trazer de volta o público que foi afastado pelos preços atuais.

A proteção institucional ao corintiano também é reforçada pela criação de um Comitê de Valorização do Torcedor, um órgão com missão de fiscalizar a experiência do público, garantir segurança, transporte digno e apoio logístico para torcidas que viajam para acompanhar o time em Itaquera.

Outro ponto crucial da nova versão é a inclusão de uma cláusula de reversibilidade para situações de tragédia financeira ou esportiva extrema, permitindo que o controle retorne ao clube social do Corinthians caso metas mínimas não sejam cumpridas.

A distribuição de dividendos foi limitada a 25% do lucro a partir do sexto ano, garantindo que a maior parte dos recursos seja reinvestida no futebol, enquanto a marca Corinthians permanece como propriedade do clube associativo, que receberá royalties estimados em R$ 600 milhões ao longo do tempo.

Os idealizadores reclamaram da falta de transparência do Corinthians em relação ao real problema financeiro que o clube atravessa. "Eu acho que a primeira pergunta é: qual é a dívida do Corinthians? No último balanço apontava-se um valor de 2,7 bilhões. Foi feita uma transação tributária, mas, para que ela seja aperfeiçoada, precisa ser cumprida rigorosamente. Ou seja, é necessário pagar o valor da transação e as parcelas correntes em dia; se atrasar três parcelas, há rescisão da transação. Há também um contingenciamento de cerca de 700 milhões em pendências jurídicas que, aparentemente, até novembro, não estavam contabilizadas. Isso pode fazer a dívida aumentar", alerta Eduardo Salusse, outra liderança da SAFiel.

"É certo que, com dinheiro em caixa, o poder de negociação do Corinthians melhora bastante, assim como suas receitas de televisão, o que pode ajudar a estancar essa sangria o quanto antes.

FALTA DE DIÁLOGO
Apesar da concentração de esforços para o aprimoramento do projeto, a SAFiel depende da análise e aprovação do tema no Conselho Deliberativo do Corinthians para sair do papel e virar realidade. Diante deste cenário, os cardeais corintianos ainda não estão convencidos de que a proposta é a melhor para o futuro do clube.

O debate ainda corre o risco de ficar ofuscado por causa do ano eleitoral, mas as ameaças de intervenção pelo Ministério Público e uma base engajada de apoiadores nas redes dão força para os idealizadores não desistirem da ideia. O presidente Osmar Stábile não respondeu ao convite, enquanto Romeu Tuma Jr, afastado da presidência do Conselho Deliberativo, alegou questões pessoais.

Carlos Teixeira e Eduardo Salusse, que tornaram-se sócios do clube para entender as articulações internas, pedem que a cúpula corintiana dê ouvidos ao projeto.

"O diálogo com a associação é muito aquém do que deveria ser. Isso nos surpreende. O Corinthians está diante de um dilema e os caminhos podem levar a lugares muito diferentes. A gente espera que isso provoque o dever fiduciário do Conselho e da presidência executiva do Corinthians para que o projeto seja debatido. Não queremos enfiar o projeto goela abaixo. Queremos construir em conjunto com o clube", comentou Teixeira.

"Tem muitas pessoas que eu conheci do Conselho que são favoráveis ao projeto, mas não vejo a formação de um bloco que coloque esse assunto de verdade na pauta corintiana. Espero que isso possa acontecer a partir de hoje", completou.

(Com Agência Estado)

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