Com 111 anos de história, o Paulista vive durante a pandemia do novo coronavírus um período de intensas transformações. O líder da torcida organizada do time, Rodrigo Alves, topou assumir como presidente gestor depois do cargo ficar vago e encontrou uma situação bastante complicada. O clube está registrado em quatro diferentes números do Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas (CNPJs), faz campanha ruim na Série A-3 do Estadual e acumula R$ 60 milhões em dívidas, a maior parte tributária e trabalhista.
O cenário difícil não desanimou o presidente novato. Apenas com 30 anos, ele recebeu cumprimentos de líderes de outras torcidas organizadas após tomar posse e entende ser o momento do clube se reinventar. "Nossa torcida é apaixonada e está comprando a ideia das ações que estamos fazendo durante a pandemia para arrecadar dinheiro. Tenho fé que vamos conseguir nos reestruturar", disse ao Estadão. Em quatro sábados recentes, o Paulista fez um mutirão de vendas no estádio e conseguiu bons números de vendas: 5 mil máscaras, 250 camisas e 80 mochilas. Todas as peças trazem o escudo do clube.
Mas a ação mais notória nesta época foi justamente a rifa da medalha de campeão da Copa do Brasil. O clube vendeu cem números aos interessados a R$ 10 cada e conseguiu arrecadar R$ 1 mil para pagar algumas contas atrasadas. "As medalhas estavam em uma sala trancada dentro do estádio. Por anos ninguém abriu a porta. Eu chamei um chaveiro, entrei lá e achei um monte de camisas antigas, agasalhos sem uso e 25 medalhas da Copa do Brasil. Nós vamos nos organizar para fazer bom uso de todos esses itens", contou o presidente.
Do pacote de medalhas, parte ficará no memorial do clube e o restante será destinada a outras ações, como leilões. Os uniformes também devem ser usados para essa finalidade. Nas últimas semanas o Paulista organizou não só o mutirão de vendas de máscaras e mochilas, como também realizou lives nas redes sociais com a presença de ex-jogadores para incentivar a participação da torcida neste novo momento.
O clube viveu o ápice entre 2005 e 2006. O título da Copa do Brasil rendeu a participação na Libertadores do ano seguinte, quando chegou a ganhar dentro de casa do poderoso River Plate. Nos anos seguintes a situação do Paulista desandou e os rebaixamentos viraram rotina. No Campeonato Brasileiro, o time chegou a disputar a Série B até 2007. No Estadual, a última presença na elite foi em 2014, para depois amargar a queda ao quarto escalão.
Em 2019 o Paulista conseguiu acesso à Série A-3, porém nesta temporada a equipe estava na lanterna antes da paralisação. "Faltam quatro jogos e quem sabe a gente precise ganhar três para não cair", calcula o novo presidente. Outra preocupação dele é organizar o CNPJ do clube. O time está registrado na Federação Paulista de Futebol (FPF) como Paulista Ltda. e vai estudar em como unificar os cadastros.
Segundo o diretor jurídico do Paulista, Marco Antônio Zuffo, a situação difícil do clube tem conseguido ser resolvida pouco a pouco com doações da torcida. Uma loja de materiais de construção, por exemplo, bancou R$ 14 mil para reformar o vestiário do time. Outro comerciante contribuiu com produtos de limpeza para a faxina. "O clube quase chegou ao ponto de insolvência. Mas em Jundiaí as nossas ações têm mexido positivamente com a torcida", comentou.
Zuffo contou que mesmo antes da pandemia o Paulista já havia conseguido diminuir um pouco as dívidas. O clube conseguiu usar parte da cota recebida pela FPF para quitar pendências. Em um ano, foram gastos R$ 1,2 milhões para resolver 78 processos trabalhistas.
(Com Agência Estado)
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