Enquanto nas duas últimas sessões os investidores deram peso às perspectivas do governo americano de que a guerra estaria próxima de seu fim, nesta quarta aumentaram as preocupações sobre a segurança da navegação no Estreito de Ormuz, e o presidente Donald Trump disse que o conflito vai terminar "quando ele quiser". Segundo o republicano, "ainda faltam pequenas coisas aqui e ali" para concluir a ofensiva.
Fontes afirmaram à Axios que Israel e Estados Unidos se preparam para mais duas semanas de ataques, e Teerã atacou navios petroleiros que trafegavam pelo estreito. Assim, o anúncio da Agência Internacional de Energia (AIE) de que pretende liberar uma quantidade recorde de barris de suas reservas estratégicas não foi o suficiente para conter o aumento do petróleo, cujos contratos futuros se valorizaram em mais de 4% no fechamento.
Encerrados os negócios, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 aumentou de 13,549% no ajuste anterior a 13,71%. O DI para janeiro de 2029 avançou a 13,2%, vindo de 13,067% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 subiu de 13,422% a 13,495%.
"O mercado se antecipou na terça na leitura de que havia um alívio no conflito", avalia Felipe Tavares, economista-chefe do BGC Liquidez. Já nesta quarta, o noticiário sobre a guerra foi misto, diz Tavares. Enquanto Trump reiterou a expectativa de um final em breve, Israel e Irã deram sinais contrários. Duas autoridades israelenses afirmaram à Reuters que o governo do país avalia que Washington não está perto de instruir o fim do conflito.
"Não está tão claro esse fim do conflito, a situação está mais tensa e o pessoal 'caiu na real'", aponta Tavares, para quem a abertura de mais de 10 pontos-base dos vértices curtos e intermediários da curva na sessão desta quarta incorpora os impactos da volatilidade do petróleo na inflação e na política monetária.
Refletindo as oscilações do barril, que se tornou a variável chave acompanhada pelo mercado desde o início do conflito, as apostas de um corte mais cauteloso da Selic em março voltaram a ganhar terreno, faltando uma semana para a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.
Segundo cálculos de Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, a curva precificava 65% de chance de redução de 25 pontos-base do juro básico na próxima quarta-feira, e 35% para um ajuste de 50 pontos no final da tarde. Pela manhã, os porcentuais estavam em 55% e 45%, respectivamente. Provavelmente, a variação do petróleo influenciou a mudança, diz Serrano, uma vez que os retornos dos Treasuries subiam, mas o dólar se manteve comportado.
Ofuscada pelas tensões geopolíticas, a Pesquisa Mensal do Comércio (PMC) mostrou que as vendas do varejo restrito, que não incluem automóveis e material de construção, subiram 0,4% entre dezembro e janeiro na comparação dessazonalizada, mais forte do que a mediana de queda de 0,1% apontada pelo Projeções Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. "Tudo foi sufocado pelo petróleo", resume Tavares.
Nem mesmo o cenário eleitoral fez preço nos DIs nesta quarta-feira. Pesquisa Genial/Quaest indicou empate numérico entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em eventual segundo turno, com 41% das intenções de voto para os dois candidatos, sem reação na curva a termo.
(Com Agência Estado)
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