Segundo ela, os riscos para a perspectiva de crescimento estão inclinados para o lado negativo, enquanto as expectativas de inflação são de alta.
"Monitoraremos de perto o tamanho e a persistência do choque da energia", enfatizou a presidente do BCE, acrescentando que o conflito está pesando na atividade da União Europeia.
Lagarde explicou que pesquisas apontam para uma desaceleração, especialmente nos serviços, e que a demanda por trabalho esfriou ainda mais.
De acordo com a presidente do BCE, a demanda doméstica deve ser mais fraca do que a vista em março, mas com o consumo continuando a ser o principal motor do crescimento. "Os indicadores de salários continuam a indicar uma redução nos custos trabalhistas em 2026", adicionou.
Espalhamento
Lagarde afirmou também que a inflação na zona do euro está começando a se disseminar por diferentes setores da economia, em um sinal de que o choque provocado pela alta dos preços de energia pode estar gerando efeitos mais amplos sobre os preços.
"Estamos começando a ver uma ampliação da inflação pela economia", disse Lagarde.
Segundo a dirigente, a autoridade monetária espera que a inflação retorne à meta de 2% apenas no outono de 2027 no Hemisfério Norte, refletindo a persistência das pressões inflacionárias observadas após a escalada do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã.
Defesa da decisão
Lagarde defendeu a decisão anunciada, classificando-a como uma "boa decisão". Na avaliação da presidente do BCE, o principal risco para a economia e para a estabilidade de preços seria justamente não ter promovido o aperto monetário. "O principal risco da decisão de hoje era não tomar a decisão que tomamos", afirmou.
Apesar da deterioração das perspectivas econômicas da região, Lagarde demonstrou confiança na capacidade de consumo das famílias nos próximos anos. A renda líquida dos trabalhadores deverá permanecer positiva, o que leva a crer, na avaliação da dirigente, que o consumo continue sendo um dos principais motores do crescimento da zona do euro.
(Com Agência Estado)
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