A pequena queda desta segunda-feira consolida o quarto pregão seguido de baixa do índice, que chega na reta final do mês com alta acumulada de 3,14%; no ano, o avanço é de 13,57%.
O chefe trader sênior de renda variável da Lince Investimentos, Wagner Atoguia Lima, avalia que o mercado local permaneceu sem direção definida, mas com comportamento bastante instável. A desaceleração do petróleo ajudou a aliviar a pressão sobre a Bolsa, à medida que a contenção da commodity ajuda a afastar os receios de uma disparada da inflação globalmente. Ainda assim, sem avanços mais claros nas negociações para reabertura do Estreito de Ormuz, a tendência de alta da commodity segue no pano de fundo.
"O petróleo, que chegou a subir 3% a 4%, perdeu força com a leitura de que o Irã aceitaria interromper o enriquecimento de urânio em troca de alívio nas sanções dos EUA. A bolsa reagiu, mas o dia segue muito volátil", afirma. Negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), o petróleo Brent para dezembro fechou em leve alta de 0,4%, a US$ 97,83 o barril.
Para o head de renda variável da Lifetime, Lucas Tambellini, o pregão refletiu sobretudo um movimento de saída de ativos de risco globalmente. Ele destaca que o investidor espera o resultado das urnas no Brasil para se reposicionar nos ativos. "A sensação, perto da eleição, é de compasso de espera, e uma saída mais clara do Ibovespa da faixa de 183 mil pontos para 187 mil pontos depende de mais clareza após o primeiro turno", diz.
O aumento de posições ligadas à proteção via EWZ nas últimas semanas exemplifica a cautela com ativos brasileiros, segundo o estrategista e portfólio manager da GCB Investimentos, Rafael Espinoso. Ele também destaca a alta volatilidade no mercado local, em resposta às posições mais defensivas dos investidores. O índice S&P/B3 Ibovespa VIX subiu 4,29% nesta segunda, depois de cair no começo da semana passada e subir perto de 1% nas últimas sessões.
Calculado a partir das opções sobre o Ibovespa B3, o VIX Brasil mede a volatilidade implícita esperada para os próximos 30 dias. Na prática, funciona como um termômetro da percepção de risco do mercado. Por isso, também é chamado de "índice do medo". É acompanhado por investidores, gestores e analistas em momentos de maior incerteza, sobretudo para estratégias de proteção de carteira.
(Com Agência Estado)
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