"Podemos ter a pior semana da história", afirma Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos. Segundo ele, além do quadro incerto no exterior, o cenário no Brasil segue bastante incerto, devido às preocupações fiscais no ano que vem, no quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). "Não houve nenhuma declaração por parte do governo, apaziguando o humor dos mercados, no sentido de que fará algum ajuste", completa Mendes.
Além da ausência de um plano fiscal que seja crível, segundo analistas, ainda não há sinais sobre quem comporá a equipe econômica a partir de 2027. Os resultados trimestrais também seguem no foco, com destaque para Vale, Usiminas e Klabin.
Investidores também acompanham o G20, hoje e amanhã. O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, está em Atlanta, nos Estados Unidos, onde participa da reunião de chanceleres do bloco. Segundo a agenda, o encontro marca o primeiro compromisso entre autoridades brasileiras e norte-americanas desde as eleições no Brasil.
O recuo no exterior ocorre em meio à temporada de balanços corporativos, como o da Amazon, cujo lucro e receita frustraram as expectativas, e diante da alta do petróleo, o que eleva temores inflacionários e reforça a perspectiva de juros globais mais altos. Entre os balanços, desagradaram os resultados da Amazon e Intel, que "reforçarem os temores com os impactos dos pesados investimentos em inteligência artificial no caixa das empresas", cita em nota Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria.
"O cenário externo está adverso, e isso vale para o Brasil. Sem perspectiva de mudança fiscal, a tendência é vermos os juros mais altos. A sensação é que o comportamento do câmbio será o fiel da balança para o governo fazer alguma coisa, de se aproximar do mercado, de ter uma perspectiva fiscal", diz Mendes, da Manchester.
Segundo reforça Campos Neto, sócio da Tendências, a percepção é de que não há um plano de ajuste fiscal sendo discutido, mas apenas a perspectiva de medidas pontuais visando o cumprimento das metas fiscais. "Nos últimos dias, diversos expoentes do governo fizeram declarações públicas contrárias a qualquer ajuste.",
Entre os balanços, a Usiminas apresentou lucro líquido de R$ 243 milhões no terceiro trimestre de 2026, revertendo prejuízo de R$ 3,5 bilhões apurado em igual período de 2025. As ações caíam 3,47%, pero das 11h40. Já o lucro líquido da Vale recuou 53% no período citado acima, dentro do previsto. Os papéis da Vale subiam 4,73%.
Ainda fica no radar a Petrobras, que confirmou a terceira descoberta de petróleo no bloco FZA-M-59, na Margem Equatorial, e negou que exista decisão sobre reajustes nos preços da gasolina e do diesel. As ações tinham alta de 1,67% (PN) e 1,71% (ON).
Ontem, o Ibovespa fechou em baixa de 1,06%, aos 169.186,42 pontos. Foi a quarta sessão consecutiva de baixa.
Às 11h42, o Índice Bovespa caía 0,42%, aos 168.480,95 pontos. Na mínima, o índice recuou 1,29%, aos 167.007,57 pontos - quase 2.200 pontos aquém da abertura, na máxima (169.184,60). Em Nova York, as bolsas recuavam até 2,12% (Nasdaq). Também por lá, o EWZ, principal ETF de ações brasileiras negociado nos EUA, diminuía a queda de cerca de 2% para 0,97%.
(Com Agência Estado)
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