Conforme Pedro Moreira, sócio da One Investimentos, os mercados têm operado sob a influência de notícias sobre o conflito entre os Estados Unidos e o Irã. "Os mercados tentam acompanhar a percepção de risco", diz.
Segundo ele, os dados de inflação do Brasil e dos EUA divulgados entre ontem e hoje - indicando pressão inflacionária - geram cautela. "Colocam dúvidas com relação à condução da política monetária doméstica e norte-americana", acrescenta Moreira.
Além da divulgação da Pesquisa Mensal de Varejo (PMC), fica no radar a medida provisória do governo federal, que zera o imposto federal da chamada "taxa das blusinhas. Num primeiro momento, algumas ações do setor varejistas reagiram em queda, mas depois moderavam o ritmo, com alguns papéis até subindo, caso de Magazine Luiza (1,82%).
Nos EUA, O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês) registrou em abril a maior alta mensal em pouco mais de quatro anos, refletindo principalmente o avanço dos custos de energia, com a alta do petróleo em meio ao conflito entre EUA e Irã, transporte e margens de comércio atacadista e varejista.
O PPI subiu 1,4% em abril ante março, após alta de 0,7% em março e de 0,6% em fevereiro (dados revisados). O resultado superou a previsão de analistas consultados pela FactSet, que esperavam avanço de 0,7%
No noticiário político, a nova pesquisa Genial/Quaest concentra as atenções. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) estão tecnicamente empatados em uma eventual disputa de segundo turno para a Presidência da República, segundo o levantamento. No cenário envolvendo os dois, Lula aparece numericamente à frente e pontua 42%, enquanto Flávio tem 41%.
No exterior, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, chegou pela manhã a Pequim para uma aguardada cúpula com o presidente chinês, Xi Jinping, em meio a tensões envolvendo comércio, Taiwan, inteligência artificial (IA) e a guerra entre Israel, EUA e Irã.
Hoje, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou a PMC. As vendas do comércio varejista subiram 0,5% em março ante fevereiro, superando a mediana positiva de 0,1% das expectativas.
Quanto ao varejo ampliado, que inclui as atividades de material de construção, de veículos e de atacado alimentício, houve avanço de 0,3% na margem - também acima da mediana de expansão de 0,2%.
Os dados saíram após o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de abril, ontem, que reforçou pressão inflacionária, dificultando uma Selic menor ao final do ciclo de quedas, na visão de economistas.
A 4Intelligence diz que continua a avaliar que, nos próximos meses, a cada uma de suas reuniões o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central seguirá cortando o juro básico a passos de 0,25 ponto porcentual.
Segundo a consultoria afirma em nota, essa perspectiva segue condicionada a uma descompressão (ainda que gradual) do preço do petróleo e de certa acomodação das expectativas inflacionárias, sobretudo para prazos mais longos.
Ontem, Lula assinou MP que zera o imposto federal sobre compras internacionais de até US$ 50, encerrando a chamada "taxa das blusinhas". Duramente criticada por entidades que representam o varejo e a indústria têxtil, a medida passa a valer a partir de hoje.
Na véspera, o Ibovespa fechou em baixa de 0,86%, aos 180.342,33 pontos.
Às 11h32 desta quarta-feira, caía 0,07%, aos 180.170,44 pontos, após abertura em 180.341,56 pontos, com variação zero, e máxima aos 180.386,02 pontos (alta de 0,02%).
Na reta final de balanços, estão as divulgações estão Banco do Brasil, Braskem, CSN e CSN Mineração, após o fechamento da B3. Ontem, a JBS informou que seu lucro caiu 56% no primeiro trimestre ante igual período de 2025. Minerva ocupava o grupo das maiores quedas (-2,82%). A Cury, por sua vez, lucrou R$ 302,9 milhões, um aumento de 41,9%, e o PagBank teve alta de 4% no resultado no período. A ação da empresa subia 5,13%, enquanto Braskem avançava 12,72%, liderando o grupo das altas. Magazine Luiza avançava 2,09%, também nesta corrente.
Para Moreira, da One Investimentos, a zeragem do imposto federal da chamada "taxa das blusinhas", pode ter impacto limitado no setor varejista. "Parece ser mais uma movimentação política", diz.
(Com Agência Estado)
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