Pelo lado das importações, houve alta de 1,1% nas compras vindas dos EUA em agosto (totalizando US$ 4,014 bilhões, ante US$ 3,970 bilhões em igual mês do ano passado). Assim, a balança comercial com os EUA resultou em déficit de US$ 824 milhões em agosto.
No entanto, no acumulado de janeiro a agosto de 2026, em relação ao mesmo período do ano anterior, as exportações para os Estados Unidos caíram 9,7% e atingiram US$ 24,105 bilhões. As importações recuaram 8,6% e totalizaram US$ 27,316 bilhões. Dessa forma, no período, a balança comercial com os Estados Unidos apresentou déficit de US$ 3,211 bilhões.
Elevação de preços
Questionado sobre a alta das exportações de produtos brasileiros aos Estados Unidos no mês passado, o diretor do Departamento de Estatísticas e Estudos de Comércio Exterior, Herlon Brandão, afirmou que ela se deve à elevação de preços dos produtos mais vendidos ao país.
"Esse aumento das exportações brasileiros no mês está calcado pelo crescimento de preços da exportação para os Estados Unidos, de 8,6%", argumentou o técnico, em coletiva de imprensa para comentar os dados da balança comercial brasileira de agosto.
Os produtos que mais cresceram em valor absoluto no mês passado foram: aeronaves e outros equipamentos; carne bovina; produtos inacabados de ferro ou aço; cal, cimento e materiais de construção; tubos de ferro ou aço; celulose; e café. Brandão lembrou que as aeronaves e a carne bovina foram excetuadas das novas tarifas aplicadas pelos EUA ao Brasil.
"Dadas as múltiplas interferências no comércio com os Estados Unidos, temos observado uma grande oscilação nesse fluxo, então, é esperado que tenham essas oscilações, por conta dessas interferências, não só dados os produtos diretamente afetados, quanto pelas incertezas que essas interferências geram nos agentes da economia", avaliou.
O diretor ainda lembrou que pouco mais de 20% do comércio brasileiro com os EUA foi afetado pelas tarifas.
Segundo ele, é esperado que a nova tarifa tenha tido algum efeito nas vendas no mês de agosto, porque elas passaram a vigorar no final de julho e o comércio bilateral já sofreu com esse efeito de tarifa. "Nesse mês de agosto já temos um comparativo com um cenário semelhante de agosto do ano passado. Em 2025, a primeira tarifa que foi implementada pelo Brasil também passou a vigorar a partir desse mês", argumentou.
Tempo
Brandão disse também que ainda não é possível atestar que as empresas brasileiras têm redirecionado para outros mercados produtos que perderam espaço nos EUA por causa das novas tarifas. "O comércio internacional é causado por diversos fatores, ocorrem essas intervenções de tarifas, mas também o conflito no Oriente Médio fez com que os preços dos derivados de combustíveis e fertilizantes crescessem, pressionassem o preço de bens agrícolas", sustentou. "No comércio internacional tem muitos ruídos acontecendo ao mesmo tempo, é bastante difícil isolar um efeito num período relativamente curto de tempo."
"Nós precisamos de um pouco mais de tempo para falar com mais segurança sobre esse efeito do redirecionamento", afirmou Brandão.
Segundo ele, por outro lado, é um comportamento esperado. "Não é que não ocorreu, mas é difícil observar nos dados e fazer essa avaliação nesse período de tempo", explicou.
(Com Agência Estado)
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