"É importante a gente notar que há uma diferença entre as metodologias, do que se considera para fins do FMI e para fins brasileiros, que não é novidade", explicou Durigan, em conversa com jornalistas, em Washington, às margens das reuniões de Primavera do Fundo.
O FMI prevê a dívida pública brasileira no patamar de 100% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2027, no primeiro ano do próximo governo. O alerta consta do novo relatório Monitor Fiscal, publicado nesta quarta-feira, 15.
O marco preocupante virá depois de meia década de piora da situação das contas públicas domésticas. A dívida pública brasileira segue em trajetória crescente desde 2023, e deve alcançar 96,5% neste ano, na avaliação do Fundo. Trata-se do maior nível de endividamento desde a covid-19, quando chegou a 96% em 2020.
A dívida bruta como proporção do PIB é um dos principais indicadores de solvência de um país e, por isso, é monitorada de perto por agências de classificação de risco e investidores. No entanto, o FMI calcula o indicador de modo distinto: inclui os títulos do Tesouro detidos pelo Banco Central (BC), que não entram nas contas do governo brasileiro, para garantir comparabilidade com os demais países.
"De fato, a gente deveria excluir esse montante de títulos que não cumprem o papel, apesar de ser título público, não cumprem o papel de refinanciamento da dívida pública", defendeu Durigan.
Segundo ele, a dívida pública é uma preocupação sua e que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai seguir endereçando. "A gente tem um compromisso com a estabilização da trajetória da dívida pública brasileira e uma expectativa de, no médio e longo prazo, reduzir a dívida pública brasileira", reforçou.
(Com Agência Estado)
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