Depois de máxima a R$ 5,1976 (+0,39%) e mínima a R$ 5,1596 (-0,35%) no mercado à vista pela manhã, o dólar fechou em baixa de 0,09%, a R$ 5,1726.
A divisa norte-americana ainda acumula alta de 0,30% na semana e 2,57% no mês, mas queda de 5,76% em 2026. Já o contrato futuro para julho cedia 0,10% por volta das 17h15, destoando da tímida alta de 0,13% do índice DXY, que mede o dólar contra seis pares fortes.
A percepção de que a guerra no Oriente Médio pode se prolongar balizou a máxima do dólar mais cedo, visto que o presidente Donald Trump prometeu que Washington voltará a atacar o Irã ainda nesta quarta, após bombardeios contra alvos iranianos na madrugada. À tarde, o republicano disse ainda que o exército do Irã está derrotado.
O operador de câmbio José Carreira, da Fair Corretora, afirma que já era previsto que o dólar abriria em alta em função dos ataques dos EUA ao Irã de madrugada e com o estreito de Ormuz novamente fechado, com a leitura de que um preço do petróleo mais elevado pode gerar inflação maior no mundo inteiro, inclusive no Brasil.
No âmbito inflacionário, contudo, o fato de o núcleo do CPI dos Estados Unidos, que exclui itens voláteis como alimentos e energia, ter vindo abaixo do esperado deu um gás para que o real conseguisse voltar para uma tendência de discreta apreciação, depois de ter sido uma das divisas emergentes com pior desempenho na semana passada.
A especialista em câmbio e crédito da be.smart, Jaqueline Neo, afirma que a inflação americana é um dos principais indicadores acompanhados pelo mercado, pois influencia diretamente nos juros do Federal Reserve e, neste sentido, uma alta menor do núcleo do CPI é uma boa notícia.
Carreira, da Fair, também aponta que, no início, o mercado estava esperando um ataque mais pesado dos EUA contra o Irã nesta noite, mas pode estar ponderando se este realmente vai ser realizado. "Às vezes o Trump também joga muita espuma e não faz nada. Só fala e não age", pondera.
À tarde, o Banco Central informou que o fluxo cambial em junho até o dia 5 foi positivo em US$ 2,588 bilhões, fazendo o saldo acumulado de 2026 aumentar para US$ 16,6 bilhões.
O economista Sérgio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia, relembra, em nota, que a depreciação do real na semana passada (-2,6%) fez com que a divisa brasileira apresentasse um comportamento pior do que a maioria das moedas emergentes.
O estrategista de câmbio e juros do Bank of America (BofA) Securities, Oliver Levingston, considera que o apetite para operações de carry trade em moedas de mercados emergentes que não são exportadores de commodities diminuiu, dada a incerteza em torno da gravidade do choque de oferta de petróleo. Contudo, este não é o caso do Brasil - que é exportador líquido de petróleo. Assim, a alta de cerca de 2% da commodity nesta quarta pode também ter ajudado a amparar a leve recuperação do real.
(Com Agência Estado)
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