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Cuiabanália Domingo, 30 de Março de 2014, 08:39 - A | A

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Domingo, 30 de Março de 2014, 08h:39 - A | A

ENTREVISTA DA SEMANA

Preocupado com as obras da Copa, governo deixa a cultura de lado

Autoridades estaduais e municipais nem cogitaram organizar uma exposição para mostrar a rica cultura de Mato Grosso aos visitantes

NELSON SEVERINO

 



A Copa do Mundo em Cuiabá está chegando e até agora as áreas envolvidas com a cultura, seja do Estado ou do Município, nem cogitaram de organizar uma exposição, que poderia ser em algum espaço na própria Arena Pantanal, para mostrar aos visitantes o potencial de Mato Grosso nas artes, principalmente na pintura.

– O governo está preocupado é com as obras da Copa do Mundo – queixa-se o pintor Gervane de Paula. Ele próprio já foi convidado para participar de alguns eventos culturais durante a Copa do Mundo na capital mato-grossense, porém organizados pela iniciativa privada. Mas os artistas convidados já estão sendo cientificados que não vai rolar grana...

No início da sua longa carreira como pintor, Gervane de Paula teve como orientadora a pintora Dalva de Barros, por cujo aprendizado na apurada técnica na arte de pintar passaram muitos artistas cuiabanos, alguns dos quais ganharam projeção nacional e internacional, como é o caso de Adir Sodré, que recentemente participou de uma mostra de pintura na China.

Humberto Espíndola e João Sebastião, numa primeira fase, e posteriormente Philip Guston, José Lenilson, Di Cavalcanti, Siron Franco, entre tantos outros, foram os artistas que influenciaram Gervane de Paula na sua bem-sucedida carreira.

O artista vive exclusivamente de sua arte. Afirma que não vive como gostaria, mas consegue se manter com a pintura. Diz Gervane, que além das telas, sempre surge um trabalhinho extra, como pintar um muro, um patim de um menino rico que quer se diferente dos outros...


Marcos Lopes/HiperNotícias

Para o artista Gervane de Paula diz que o governo está mais preocupado com a Copa do Mundo, e deixou a cutura de lado


HiperNotícias – No início da sua carreira no mundo artístico, o senhor se enveredou pelas artes plásticas e pela pintura. Foi uma decisão difícil optar pela pintura ou as artes plásticas continuam fazendo parte de sua vida artística?

Gervane – Em primeiro lugar não sou um senhor das pinturas, nem sou tão jovem assim. Apenas um artista, um negro cativo do bairro Araés. Não foi difícil e nem tem sido, principalmente agora que eu já sou um cinquentão, e como já sabemos reclamar da vida após cinco décadas de existência representa uma expressão de mesquinhez.

HiperNotícias – Pintar é uma arte que pode ser cultivada ou essa virtude que muitos consideram uma “bênção de Deus”, já nasce com a pessoa, e pode se manifestar em outras áreas como aconteceu com Pelé e Maradona no futebol?

Gervane – A pintura pode sim ser melhorada, a dedicação traz a evolução. A pintura é uma modalidade antiga, a mais antiga junto com a escultura e o desenho. Cuiabá é uma das poucas cidades do Brasil e do mundo em que a pintura ainda resiste. O pintor contemporâneo primeiro precisa saber que atrás da pintura existe uma tela branca que por si só já é uma arte no contemporâneo. Vivendo aqui em Cuiabá você fica mais livre das cobranças e pode fazer o que quer, até pintar de boina preta, palheta na mão esquerda e pincéis na mão direita, no melhor estilo de quem está fora de moda.

Marcos Lopes/HiperNotícias

 

Vivendo aqui em Cuiabá você fica mais livre das cobranças e pode fazer o que quer, até pintar de boina preta, palheta na mão esquerda e pincéis na mão direita, no melhor estilo de quem está fora de moda

 


HiperNotícias – No seu caso, que aborda os mais variados temas em suas obras, o senhor já nasceu com tendência para essa arte ou foi influenciado por alguém? Se o foi, quem o incentivou ou o apoiou para dar os primeiros passos nessa arte?

Gervane – Todos nós artistas mato-grossense somos autodidatas. Eu tive a sorte de ter como orientadora a pintora Dalva de Barros no início da minha carreira. Conheci a pintura de Humberto Espíndola e João Sebastião e sem dúvidas foi as obras desses artistas que me influenciaram e continuam influenciando. É claro que depois vieram outros como Philip Guston, José Leonilson, Di Cavalcanti, Siron Franco e outros vértices imponentes das artes visuais.

HiperNotícias – A partir da década de 70, muita gente se destacou nessa arte em Mato Grosso. Para o senhor, quais foram as grandes revelações da pintura de lá para cá?

Gervane – Olha não existe mais movimento em Mato Grosso nem jovens artistas, o que existe são nichos isolados ou purgatórios onde os artistas de verdade pagam seus pecados por terem decidido se tornarem artista em algum momento de sua vida. Eu procuro não afastar muito deles, são eles que me nutrem, me dão esperança.


Marcos Lopes/HiperNotícias

'A Equilibrista', de Gervane de Paula


HiperNotícias – E hoje, como anda a pintura em Mato Grosso? Vai bem? Falta apoio oficial ou privado? O público prestigia essa arte, participando de exposições e adquirindo obras dos artistas cuiabanos e mato-grossenses?

Gervane – A pintura vai bem nesses nichos que eu citei. Lá a arte não para. O público prestigia, é minguado mais existe. A venda também. Eu vivo disso, não vivo como gostaria. Mas continuo produzindo, isso que é importante para mim.

HiperNotícias – Em qual ou em quais governos houve efetivo apoio do Estado às artes em Mato Grosso?

Gervane – As políticas culturais em geral estão todas enfraquecidas, não é de agora.

Marcos Lopes/HiperNotícias

O 'Auto-Retrato' de Gervane de Paula


HiperNotícias – Os artistas plásticos e pintores de Mato Grosso conseguem sobreviver exclusivamente dos rendimentos das suas atividades profissionais?

Gervane – Sim. Além de vender as obras sempre aparece um muro, um skate trazido por um menino mimado e rico. Ou um escritório de advocacia, um motel, sempre haverá um suporte para ganhar um dinheiro.

HiperNotícias – Alguma instituição ou o próprio Governo do Estado estão se movimentando no sentido de promover uma grande exposição de artistas cuiabanos para mostrar a quem vem a Cuiabá acompanhar a Copa do Mundo de Futebol o potencial de Mato Grosso no setor artístico?

Gervane – O governo não, eles estão preocupados com as obras da Copa. Chegaram alguns convites da iniciativa privada. Eu irei participar de dois, não vou ganhar nada de dinheiro, as pessoas que estão me convidado para participar desses projetos para a Copa, já chegaram dizendo que não tem nenhum centavo, mas como são pessoas próximas, eu estou tendo dificuldades para dizer não.

 

Marcos Lopes/HiperNotícias

'São Benedito', por Gervane de Paula

 

 

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