A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) informou, por meio de nota, que está investigando mensagens de teor racista e misógino atribuídas a três estudantes em grupos de WhatsApp do curso de Economia, no campus de Cuiabá. Segundo a instituição, a representação formal apresentada pelo Centro Acadêmico de Economia (Caeco) foi encaminhada à Ouvidoria, responsável pela adoção das medidas previstas no Regimento Disciplinar do Corpo Discente. O procedimento corre sob sigilo.
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"A Universidade esclarece que a apuração seguirá os procedimentos internos previstos na regulamentação institucional, incluindo, quando cabível, a constituição de comissão competente para análise dos fatos e a adoção das medidas administrativas pertinentes, assegurados o contraditório e a ampla defesa", informou em nota.
Por enquanto, os três estudantes denunciados seguem podendo comparecer as aulas normalmente e, segundo, a Universidade, terão direito ao contraditório e ampla defesa.
AS MENSAGENS
O HNT teve acesso ao boletim de ocorrência registrado contra os estudantes em que narra como começaram as manifestações. Segundo a denúncia, três homens enviaram as mensagens de caráter racistas e misógino durante uma discussão política em um dos grupos, intitulado "INFORMES-ECONOMIA".
Um dos alunos teria enviado uma figurinha do presidente Luiz Inácio Lula (PT) com o tom da pele negra e dando a indicar que ele era bandido por ser negro. Em seguida, outro estudante enviou uma mensagem se referindo a outra pessoa como "eae carvão". Ambos foram removidos do grupo, que ficou restrito aos administradores.
Após a exclusão dos estudantes do primeiro grupo, as manifestações migraram para o grupo "GERAL", administrado pela Atlética Monopólio, em que segundo a denúncias a violência escalou. Conforme o Caeco a presidente da atlética teria ralativizado as mensagens enviadas pelos estudantes.
No grupo, outro estudante teria enviado "Por causa de vc os preto lá ta achando que tem direito agora [sic]", o que foi reforçado pelos outros estudantes por áudios e figurinhas, entre elas uma ilustrando uma mulher negra fazendo ultrassom e o bebê sendo um macaco.
Em outras mensagem, um dos estudantes disse "Quer dizer agora que se eu chamar de neguinho é racismo" e em seguida ""Vai tomar no cu, por isso tem que ser contra as muié mesmo... Eu sou a favor da minha mulher e da minha filha, o resto da mulher tem que se fudermesmo [sic]".
De acordo com o Caeco, além do registro de boletim de ocorrência, uma denúncia foi formalizada no FalaBR, plataforma oficial do Governo Federal, e o caso foi encaminhado para a Liga das Atléticas da Universidade Federal de Mato Grosso (Lauf).
Leia nota na íntegra:
A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), via Faculdade de Economia, Campus Cuiabá, informa que a denúncia relacionada às manifestações de cunho racista e misógino atribuídas a estudantes do curso de Economia foi encaminhada, nesta segunda-feira (5), pela Ouvidoria da Universidade à unidade competente, que já está adotando as providências administrativas cabíveis, em conformidade com a legislação vigente e com o Regimento Disciplinar do Corpo Discente.
Por se tratar de procedimento que tramita sob sigilo, a UFMT não pode fornecer informações sobre nomes, número de envolvidos ou conteúdo das manifestações. Eventuais esclarecimentos sobre o procedimento serão prestados, quando cabíveis, pelas instâncias institucionais competentes, observados os limites legais de sigilo e proteção de dados.
A Universidade esclarece que a apuração seguirá os procedimentos internos previstos na regulamentação institucional, incluindo, quando cabível, a constituição de comissão competente para análise dos fatos e a adoção das medidas administrativas pertinentes, assegurados o contraditório e a ampla defesa.
A UFMT reafirma seu compromisso com o respeito à diversidade, à dignidade das pessoas e com a manutenção de um ambiente universitário livre de discriminação e violência.
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