O fenômeno El Niño já começou e deve ficar ainda mais intenso nos próximos meses, com potencial para atingir força máxima na primavera de 2026. A confirmação foi divulgada nesta última quinta-feira (11) pelo Centro de Previsão Climática da NOAA (órgão de meteorologia dos Estados Unidos) e coincide com análises de outros grandes centros internacionais e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).
O monitoramento das águas do Oceano Pacífico Equatorial na primeira semana de junho mostrou que a temperatura da superfície do mar subiu até 2,1°C acima da média em algumas regiões, o que oficializa o retorno e o estabelecimento do fenômeno no planeta e caracteriza o “Super El Niño”, de acordo com o climatologista do Departamento de Geografia da UFMT, Rodrigo Marques:
"O termo Super El Nino usado seria quando modelos passam a indicar anomalias de aquecimento da temperatura da superfície do mar do Oceano Pacífico acima de 2°C", explicou.
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Não é a primeira vez que o fenômeno é registrado de forma intensa, na verdade, é observada uma tendência de agravamento e encurtamento do intervalo de tempo entre a ocorrência do aquecimento. O fenômeno registrado entre 2015 e 2016 foi considerado o mais intenso já visto na era moderna. Na época, o aquecimento do Pacífico equatorial fechou a 2,6º acima da média, alcançando o marco de maior valor já detectado por instrumentos modernos.
Outro episódio foi entre 2023 e 2024 , que chegou muito perto do limite usado para classificar os eventos mais extremos. A temperatura subiu 2º acima da média no momento mais quente do fenômeno.
O Inmet alerta que a tendência é de que o El Niño continue se fortalecendo até o verão de 2026-2027. Os modelos de previsão apontam que há 63% de chance de o fenômeno se tornar "muito forte" entre novembro e janeiro, o que o colocaria na lista dos maiores e mais intensos eventos climáticos já registrados na história desde 1950.
Embora um El Niño muito forte não cause exatamente os mesmos efeitos todas as vezes, quanto mais potente ele fica, maior é a sua capacidade de bagunçar o clima, alterando os padrões normais de temperatura e de chuva por todo o Brasil.
Este ano, espera-se a junção de ondas de calor frequentes, chuvas irregulares, veranicos durante o plantio, queda drástica na umidade do ar e aumento expressivo no risco de queimadas. Mato Grosso, em particular, deve sofrer fortemente com a seca. Rodrigo explica:
“O El Niño tem como consequência a seca na Amazônia, pois durante este evento o sistema de circulação que causa a chuva na Amazônia deixa de atuar. Assim, como as chuvas de Mato Grosso na estação chuvosa são provenientes da umidade da Amazônia, uma seca lá vai provocar seca aqui também, sobretudo no norte do estado que é a área mais afetada”, explicou.
No país, os impactos históricos do fenômeno dividem o mapa em dois cenários extremos. Nas regiões Norte e Nordeste, o El Niño costuma provocar uma grande redução nas chuvas, o que aumenta o risco de secas graves, deixa o solo muito seco e prejudica os estoques de água. Já na Região Sul, o efeito é o oposto: a tendência é de chuvas bem acima da média, elevando consideravelmente o perigo de temporais, alagamentos e cheias de rios. O INMET informou que segue acompanhando diariamente as condições do oceano e os boletins internacionais para atualizar os alertas de riscos para a população e o setor produtivo.
*Com informações da assessoria
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