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Cidades Quinta-feira, 16 de Julho de 2026, 11:21 - A | A

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Quinta-feira, 16 de Julho de 2026, 11h:21 - A | A

FIM DA INVISIBILIDADE

Mapeamento inédito sobre povos tradicionais em Mato Grosso será lançado nesta sexta 

Documento com quase 800 páginas foi produzido por indígenas, quilombolas, ribeirinhos, ciganos e povos de terreiro

MARYELLE CAMPOS
Da redação

O Conselho Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso (CEPCT-MT) lança, nesta sexta-feira (17), o Mapeamento Social dos Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso, publicação inédita para identificar territórios e orientar políticas públicas no Estado. 

De acordo com o presidente da CEPCT-MT, Marcos Antonio Camargo Ferreira, o mapeamento vai além de uma catalogação cartográfica, já que pode ser usado como um instrumento político de visibilidade para populações indígenas, quilombolas, ribeirinhos, ciganos e povos de terreiro. 

"O Mapeamento Social dos Povos e Comunidades Tradicionais de Mato Grosso (PCTMT) transcende a mera catalogação cartográfica para se consolidar como um instrumento político de visibilidade qualificada, resistência histórica e afirmação de direitos", enfatizou. 

Como explicou ao HNT, o documento, que possui quase 800 páginas deve ser uma base de dados para guiar a criação de políticas públicas direcionadas aos povos tradicionais. "O Mapeamento Social servirá como uma bússolal para subsidiar o planejamento de ações e viabilizar políticas públicas que garantam a dignidade e a sustentabilidade dessas comunidades no presente", explicou Ferreira. 

Além de mapear os povos, o documento também aborda outros aspectos e aponta para questões como a falta de titularização de territórios quilombolas, o papel da comunidade ribeirinha na preservação do Pantanal e de seus rios e a intolerância regiliosa sofrida pelas comunidades de matriz africana. 

"Do total de 119 Casas Tradicionais mapeadas, 97 (81,5%) relataram ter sido vítimas de algum tipo de violência motivada por sua identidade religiosa ou étnico-racial. E, 22 casas (18,5%) informaram não ter sofrido tais formas de agressão", afirma um dos trechos do mapeamento. 

Outro ponto considerado inédito no mapeamento é a forma como ele foi feito. As próprias comunidades ganharam autonomia e protagonismo para se autodefinirem a falarem sobre seus saberes. Todos os dados foram produzidos pelos próprios povos tradicionais, "deslocando a centralidade do pesquisador como único produtor de conhecimento e conferindo às comunidades o papel de autoras na definição das informações e narrativas que lhes dizem respeito". 

O lançamento oficial será no salão de eventos da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag) e contará com um momento de solenidade e reconhecimento público com entrega de comendas a lideranças, pesquisadores, artistas, intelectuais, servidores, personalidades e instituições que se dedicam à defesa e ao fortalecimento dos povos tradicionais.  

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