Sexta-Feira, 15 de Novembro de 2019, 11h:30

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Fundadora do Flor Ribeirinha recebe título de doutora da UFMT

Por: REDAÇÃO

Em reconhecimento às ações de preservação do patrimônio cultural mato-grossense, a artesã, artista popular e incentivadora da cultura tradicional ribeirinha, Domingas Leonor da Silva, foi outorgada com a mais alta honraria da Universidade Federal de Mato Grosso: o título de Doutora Honoris Causa. A aprovação de seu nome foi feita de forma unânime em votação realizada na sessão do Conselho Universitário (Consuni) de quarta-feira (13). O título será entregue em 10 de dezembro, data em que a UFMT celebra 49 anos.

Divulgação

Dona Domingas Flor Ribeirinha

 Dona Domingas Leonar da Silva

Nascida na comunidade de São Gonçalo Beira Rio, em 21 de fevereiro de 1954, Domingas da Silva defende por meio da arte, os costumes e comportamentos tradicionais cuiabanos, com o intuito de mantê-los vivos e vibrantes nas memórias e no cotidiano das pessoas. Segundo o relator da Comissão Especial, o Pró-reitor de Cultura, Extensão e Vivência, professor Fernando Tadeu de Miranda Borges, “os saberes da senhora Domingas Leonor da Silva sobre o modo de viver do ribeirinho, os segredos da arte em cerâmica, da culinária regional e a manifestação disso tudo em poesia garante a preservação, transformando em arquivo vivo uma fonte de oralidade das mais preciosas”, destacou.


Em 1993, Dona Domingas fundou o grupo de dança “Flor Ribeirinha”, levando para o mundo o conhecimento de duas das maiores expressões culturais de Mato Grosso, o siriri e o cururu. Com o intuito de preservar e transmitir as tradições da região, o grupo já se apresentou em diversos países, incluindo a França, Alemanha, Bélgica e China, tendo conquistado o título de campeão mundial do Festival Internacional de Arte e Cultura, em Istambul, na Turquia.


Na arte em cerâmica, o trabalho de Dona Domingas Leonortambém é marcante. A sua participação em exposições tornou a atividade ainda mais representada no país e os segredos da produção artesã foram aprendidos com sua avó, Maria Antonia da Silva e sua mãe, Joana Maria da Silva. Além disso, a homenageada aprendeu e transmitiu outras diversas expressões artísticas, sociais e culturais, como, por exemplo, a arte da benzeção.


Em 2020, ano em que a UFMT celebra 50 anos, Domingas da Silva comemora 50 anos de vida profissional e os 27 anos de fundação do Flor Ribeirinha. Durante a sessão, o conselheiro Vinicius Santos Fernandes declamou poema intitulado “Ode à Dona Domingas”. Leia:

Ribeirinha é Domingas
A flor mais bela do cerrado
Do siriri, do cururu
Do rasqueado
Que São Gonçalo abençoou
E firmou de pé.

Ribeirinha é a moringa
Que mata a sede de arte
Cheia de amor por toda parte
Que a olaria da alegria moldou na fé

Ribeirinha é a vida
Para a canoa mágica
Que os sonhos do mundo um dia viveu
É peixe na bananeira assado
Sabor dos encantados
Bênçãos correntes que vem do céu.

Ribeirinhas são as crias do siriri
Filhos tocam o ganzá
Para mãe tocar o tamborim
Com rimas aos versos seus
Somos flores
Porque crianças são flores
Animando todos os amores
Sob o luar claro que Nandaia nasceu.

Ribeirinhos são saberes
Que o povo Coxiponé concebeu
É a chita simples e miudinha
É o agito dos seres e da bainha
Para os primeiros passos
Que Flor Ribeirinha deu.

Ribeirinha é a flor
Que a benzendeira encantou
Para o mundo aplaudir de pé
É o coração que pulsa arte
É o clamor por toda parte
Doutora que a Dona Domingas é
Rainha da cultura e do povo
Força da tradição e do novo
Mulher do conhecimento e fé.

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