Cidades Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011, 07:28 - A | A

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VOO 1907

Famílias se organizam e jornalista americano ridiculariza autoridades no Brasil

Parentes das vítimas fundam associação e “carona” do Legacy desdenha das autoridades do Brasil e fica por isso mesmo

HÉRICA TEIXEIRA

Arquivo pessoal

Angelita Rosicler diz que mais de 80% de parentes das vítimas já receberam indenização
Pouco mais de um mês após o acidente, no dia 18 de novembro de 2006, parentes das vítimas se reuniram para fundar a Associação de Familiares e Amigos das Vítimas do voo 1907. O objetivo é lutar pela defesa de todos os direitos e interesses dos que sofreram com a morte de entes queridos.
Além disso, a Associação exige a apuração em todas as esferas administrativas e judiciais (cível e criminal) das causas que levaram à queda do avião, ocorrida no dia 29 de setembro de 2006, da mesma maneira que auxilia os familiares das vítimas a obter junto ao poder público e aos responsáveis pelo evento, todas as informações pertinentes sobre o sinistro, bem como obter o reconhecimento de seus direitos.

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A presidente da Associação, Angelita Rosicler, disse que mais de 80% das famílias já receberam indenização da companhia Gol, no entanto ela não soube precisar os números e acrescentou que “o objetivo da Associação não é pedir indenização, mas o processo criminal. Muitas famílias já receberam e outras estão buscando na justiça”, informou.

A diretora da associação, Rosane Gutjahr, disse que indenização não é seu foco e nunca vai ser. “Me ofereceram US$ 2,5 milhões para desistir do processo criminal, mas não aceitei. Tem famílias que aceitaram”, falou e ressaltou que não consegue falar muito sobre o assunto.

Angelita argumentou que aceitar ou não a indenização é um questionamento feito por parte de cada família. “Tem casos que a família perdeu o provedor, então vai precisar da indenização. Mas o foco da Associação não é falar sobre indenização, mas sobre o processo criminal dos pilotos”, pontuou.

PROVOCAÇÕES

No último dia 16 de setembro, a Justiça brasileira pediu esclarecimentos ao jornalista Joe Sharkey, por declarações que ele fez em seu blog dizendo que o Brasil é uma "terra maluca" e que o país foi culpado pela colisão do jato com o avião da Gol. Ele também escreveu matérias inverídicas no jornal The New York Times sobre o acidente e permitiu comentários agressivos em seu blog. O jornalista era um dos ocupantes do Legacy no dia do acidente.

Existem dois processos em trâmite contra o blogueiro desde 2008. O primeiro deles é criminal e já determinou várias vezes que Sharkey se explicasse. Porém, ele não se pronunciou e não apresentou nenhuma resposta.

O segundo é um processo cível, para o qual foi designado o juiz Sérgio Luiz Patitucci, e movido por uma das familiares das vítimas do acidente, a diretora da Associação, Rosane Gutjahr. A ação manifesta a indignação com relação às ofensas que sofreu, por ser cidadã brasileira e viúva de uma das vítimas.

O blogueiro norte-americano diz que a imprensa brasileira "diz amém a tudo”, além de comparar a Polícia Federal do Brasil com o filme “Keystone Cops”, ilustrando o artigo com uma imagem do longa metragem do cinema mudo, no qual os policiais eram trapalhões e divertiam as crianças.

“O Brasil é um lugar onde as autoridades instáveis lutam para se eximir da culpa”, declarou Sharkey, utilizando a grosseira expressão “cover their butts”, além de chamar o nosso país de "terra maluca" (“crazy land”).

O blogueiro também permitiu a postagem de críticas severas ao povo brasileiro, feitas por leitores, com declarações fortes como “os brasileiros são mais idiotas que os idiotas”, chamando o presidente Lula de “Bin Lula e os 40 ladrões” e "mulheres prostitutas".



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