Cidades Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011, 19:00 - A | A

Segunda-feira, 26 de Setembro de 2011, 19h:00 - A | A

REAÇÃO

Diplomata afirma que sente vergonha da violência contra o estudante Toni

Em carta de três páginas, estudantes africanos denunciam que Universidade Federal de MT pode ter negligenciado a respeito do estudante morto a pancadas em pizzaria de Cuiabá

Mayke Toscano/Hipernotícias

Diela Tamba Nhaque entrega à reitora Maria Lúcia Cavalli Neder carta onde cobra mais transparência da atuação da instituição com o estudante morto 

Em uma carta de três páginas, estudantes africanos do programa de intercâmbio denunciaram que a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) não “teve comprometimento ético, moral, social, fraterno da instituição para com estudantes estrangeiros”.

A reação dos alunos africanos, em relação ao assassinato do guineense Toni Bernardo, deixou a reitora Maria Lúcia Cavalli Neder constrangida, já que na mesa da reunião da comunidade acadêmica estava Hadial da Rocha Viana, subsecretário-geral de Cooperação, Cultura e Promoção Comercial do Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Representando Ministério das Relações Exteriores do Brasil, Hadial Viana se disse envergonhado com a situação para uma grande platéia que estava presente no Centro Cultural da UFMT.

“Este programa tem como objetivo promover a imagem do Brasil e não atos que envergonham o país”, afirmou o diplomata.

Hadial Viana se encontrou com o governador Silval Barbosa, que se comprometeu que medidas serão tomadas por parte do Governo do Estado em relação aos envolvidos.

CARTA

A carta, entregue à reitora no ato de repúdio nesta segunda-feira (26) e lida pela estudante de serviço social Diela Tamba Nhaque, também de Guiné-Bissau, para o público, expressa um “grito” pedindo providências para a questão da morte de Toni Bernardo e para a forma como estão sendo tratados os alunos estrangeiros.

Entre outras providências, os alunos exigem o traslado do corpo de Toni Bernardo para o seu país de origem, comprovação que ele teve tratamento psicológico pelo problema de saúde que estava enfrentando, cópia do desligamento do aluno da instituição, retratação à forma leviana com que, segundo os alunos, a UFMT tratou o caso, expondo em público e através da imprensa o estudante guineense, além de garantir em parcerias futuras com outros bolsistas do programa de intercâmbio, garantias de segurança e assistência médica sempre que houver necessidade.

A reitora Maria Lúcia Cavalli Neder se comprometeu a se reunir com os estudantes e tratarem dos problemas que estão enfrentando. “Temos 24 mil estudantes na instituição e por isso não temos como saber dos problemas de todos”, declarou a reitora.

Questionada se em algum momento a reitoria havia conversado anteriormente com os estudantes de intercâmbio para saber se estavam enfrentando dificuldades, Maria Lúcia Cavalli Neder disse que já houve estes momentos. “Já sentamos por duas vezes em minha gestão, mas eles nunca expuseram grandes dificuldades à mim”, completou.

A reitora disse ainda que vai fazer revisão das condições do Programa de Estudante-Convênio Graduação (PEC-G), para avaliar se vale a pena ou não, continuar com o programa. Contudo, afirma que não se resume em interrupção imediata do benefício.

Os alunos africanos, disseram que não foi essa a posição dos representantes da reitoria que na manhã desta segunda-feira (26) disseram que cortariam as bolsas do programa que auxilia estudantes estrangeiros.

Mayke Toscano/Hipernotícias

Estudante, identificada por Denise, desmaiou depois de ouvir depoimentos de várias pessoas em relação à morte de estudante

 

 

 SOFRIMENTO 

Uma estudante do Haiti, identificada por Denise, não aguentou a pressão das falas que lembravam a forma como o estudante Toni Bernardo foi morto.

Denise desmaiou e foi socorrida por colegas. A ambulância levou a estudante para o Hospital Universitário Júlio Muller, logo depois foi liberada.

Dor e muito sofrimento marcaram amigos brasileiros e africanos de Toni Bernardo, que segundo eles, era um rapaz pacífico e dócil.

 

 

REPATRIAÇÃO

Um dos itens citados pelos estudantes estrangeiros, questiona se o desligamento do estudante Toni Bernardo teve o acompanhamento devido por parte da UFMT, que de acordo com o que estabelece o programa de intercâmbio a instituição é como uma tutora dos estrangeiros.

O assessor de Relações Internacionais da UFMT, Paulo Teixeira, disse que no dia 3 de março foi enviado documento comunicando o desligamento do aluno à Polícia Federal, ao Ministério da Educação e ao Ministério das Relações Exteriores. De acordo com Teixeira, o documento foi encaminhado imediatamente após o afastamento do aluno da faculdade de Ciências Econômicas.

O estudante passou seis meses em Mato Grosso após o desligamento, e segundo Paulo Teixeira a instituição não sabia que Toni Bernardo estava no Brasil.

A reportagem ligou para a Polícia Federal, mas até o encerramento desta matéria não houve a confirmação se o documento chegou à Delegacia de Controle de Imigração, chefiada por Marcos Carvalho.

A Polícia Federal também vai se posicionar se o estudante Toni Bernardo da Silva foi notificado sobre a situação como ilegal no país. De acordo com a assessoria da PF, o procedimento é que após a notificação o estrangeiro tem até oito dias para sair do Brasil de forma amigável.

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