Segunda-Feira, 29 de Junho de 2020, 17h:00

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153 médicos pegam coronavírus e 2 morrem em MT, alertam entidades

Por: JANAÍNA ARRUDA

Levantamento do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM) divulgado nesta segunda-feira (29) pelo Sindicato dos Médicos (Sindimed) aponta que nada menos que 151 médicos já foram infectados coronavírus e contraíram a Covid-19 no Estado desde o início da pandemia. De acordo com o CRM, 23 casos foram cofirmados apenas nesta segunda-feira. Desse total, dois médicos no estado já morreram em decorrência do vírus, sendo Reinaldo Rodrigues de Oliveira, de 73 anos falecido no último domingo (28), de Cuiabá, e Agnaldo Cesário da Silva, de 53 anos, de Lucas do Rio Verde, falecido no dia 21.

Reprodução grupo Abril

Coronavirus medidcos

 

Um consulta feita por HiperNotícias no Observatório da Enfermagem do Conselho Nacional de Enfermagem (Cofen) revela que já foram notificados 397 casos de contaminação de profissionais de enfermagem no Estado, e cinco mortesa até esta data.

Diante desse quadro o Sindimed teme que o quadro se agrave, já que as unidades de saúde, tanto públicas como privadas, não conseguem organizar um fluxo adequado para o atendimento aos casos de pacientes com sintomas de Covid-19.

“O quadro deve se agravar já que os médicos estão atendendo pacientes em salas sem ventilação adequada para diminuir a transmissibilidade do vírus, consultórios com janelas que muitas vezes dão para corredores dentro do próprio estabelecimento de saúde, isso tudo torna as unidades de saúde um lugar "perigoso", muito insalubre”, alerta o diretor de comunicação do Sindimed, Adeildo Lucena.

Em reunião com a Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, CRM e outros sindicatos nesta segunda-feira (29), o Sindimed apresentou a ideia de se atender pacientes em tendas que teriam a ventilação necessária para evitar que mais profissionais de saúde e pacientes que buscarem atendimento médico nas unidades de saúde se contaminassem propagando ainda mais a Covid-19.

“Outra sugestão é se colocar equipes para monitorar os pacientes. E seria necessário que realmente o poder público disponibilizasse os medicamentos (vitamina D, zinco, prednisona, ivermectina, Azitromicina, nitazoxamida, Enoxaparina e hidroxicloroquina) para as pessoas independente da classe social ou de ter o atendimento na UPA ou em um hospital para tratar no início impedindo que o quadro se agrave para evitar novas internações, já que estamos com 94% da taxa de ocupação de UTIs em Mato Grosso, um colapso. Não é só atender e medicar. Se faz necessário acompanhar os pacientes suspeitos ou já confirmados. A coordenação dos cuidados é muito importante para se antecipar o agravamento dos casos. Com uma coordenação adequada isso pode ser feito na atenção primária, que dispõe de profissionais competentes e comprometidos. Só precisam de proteção e condições de trabalho. Médicos têm, o que falta é gestão”, sugere Adeildo.

Ele ainda expos que o Sindicato recebeu denúncias de médicos que estão na linha de frente de combate a Covid-19 que os pacientes têm voltado aos consultórios afirmando que não estão encontrando os medicamentos.

“Nenhuma unidade de saúde de Cuiabá possui os medicamentos e não tenho notícias que já existiram alguma vez. Tem muitos médicos prescrevendo precocemente esses medicamentos, mas os pacientes não encontram nem nas farmácias. Quando muito conseguem mandando manipular”, afirma Adeildo Lucena, diretor de Comunicação do Sindimed.

O Sindimed alerta que se medidas não forem tomadas, a população vai sofrer mais ainda, visto que um médico a menos na linha de frente gera mais lentidão no atendimento e lotação nas unidades de saúde. “Esse é o momento de pensar em diminuir a transmissão, não podemos deixar a população sem atendimento, mas os profissionais de saúde não podem trabalhar infectados e se tornarem vetores da Covid-19. Nós nos formamos para salvar vidas, mas não deixamos de ser humanos suscetíveis a esse vírus como qualquer pessoa”, desabafa o médico do Sindimed.

OUTRAS CATEGORIAS

A Comissão de Saúde, Previdência e Assistência Social da Assembleia Legislativa de Mato Grosso também recebe, nesta segunda-feira denúncias que apontam a precariedade das condições de trabalho ofertadas a profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate ao novo coronavírus, a baixa qualidade e quantidade dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) disponibilizados e até mesmo casos de coação e ameaças a trabalhadores.

As denúncias foram apresentadas por representantes do Conselho Regional de Medicina (CRM), Sindicato dos Médicos (Sindimed), Conselho Regional de Enfermagem (Coren), Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Crefito) e Sindicato dos Servidores Públicos da Saúde do Estado de Mato Grosso (Sisma), durante reunião extraordinária da comissão.

O vice-presidente da Comissão de Saúde, deputado Dr. João (MDB), chamou atenção para o risco de haver um colapso de profissionais da saúde. “Esse vai ser o próximo colapso grave. Daqui a pouco não vamos ter profissionais”.

Protocolo – A presidente do CRM-MT, Hildenete Fortes, reforçou a autonomia de cada médico para prescrição de tratamentos precoces à Covid-19 e informou que não é função do CRM emitir protocolo com relação a isso. Acerca da questão, o deputado Dr. Eugênio lembrou que há um grupo de trabalho, do qual participa, que irá apresentar protocolos orientativos para os atendimentos.

Projetos de lei – Foram aprovados pareceres favoráveis ao Projeto de Decreto Legislativo 5/2020 e aos Projetos de Lei 461/2020, 13/2019, 398/2020, 38/2020, 390/2020, 401/2020, 237/2019, 509/2020, 414/2020, 459/2020, 436/2020, 441/2020, 444/2020, 99/2020, 81/2020, 489/2020 e 428/2020.

Por decisão dos deputados que compõem a comissão, os PLs 327/2020, 340/2020, 461/2020, 471/2020, 544/2020 e 545/2020 serão apreciados em reunião extraordinária na próxima segunda-feira (06).

(Com assessorias)

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