O candidato à Presidência da República pelo Novo, Romeu Zema, afirmou nesta segunda-feira (24) que, se for eleito, pretende garantir reajuste do salário mínimo acima da inflação quando a economia brasileira estiver em crescimento. A declaração foi dada durante entrevista à Globo.
Zema afirmou que a reposição da inflação será garantida para evitar perda no poder de compra dos trabalhadores e aposentados. Segundo o candidato, caso a economia apresente bom desempenho, também será mantido o ganho real no reajuste.
“Garanto que ninguém vai ter perda”, declarou Zema. “Se tiver inflação, nós daremos toda a inflação.”
O candidato também defendeu como uma das prioridades de eventual governo a redução da taxa básica de juros. Zema afirmou que, com um governo que tenha “credibilidade” e combata corrupção e fraudes, seria possível reduzir os juros para 6%.
Na avaliação dele, a queda da taxa poderia gerar uma economia de aproximadamente R$ 800 bilhões por ano.
DÍVIDA PÚBLICA
Durante a entrevista, Zema também foi questionado sobre a situação fiscal de Minas Gerais. A dívida do Estado praticamente dobrou durante os quase oito anos em que esteve à frente do governo.
O candidato afirmou que recebeu um déficit de R$ 11 bilhões em 2018 e deixou o governo com superávit de R$ 5 bilhões. Ele atribuiu parte da dívida ao déficit acumulado desde os anos 1990 e disse que não contratou empréstimos ou financiamentos durante a gestão.
Segundo Zema, foram pagos R$ 23 bilhões relacionados a aposentadorias e R$ 13 bilhões ao governo federal e servidores públicos.
ANISTIA A CONDENADOS DO 8 DE JANEIRO
Zema também declarou que, se eleito, concederia anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. O candidato classificou como “nitidamente político” o julgamento dos envolvidos pelo Supremo Tribunal Federal.
Ele afirmou que os responsáveis deveriam ser punidos pelos atos de vandalismo e depredação, mas defendeu que os julgamentos fossem realizados por um tribunal que, na avaliação dele, não tivesse atuação política.
Apesar de defender a possibilidade de mudança no sistema, Zema afirmou confiar nas urnas eletrônicas e disse ser favorável à adoção do voto impresso como forma de aperfeiçoamento.
SEGURANÇA E FEMINICÍDIO
Na área da segurança pública, Zema citou as medidas adotadas pelo governo de Nayib Bukele, em El Salvador, como uma referência que poderia ser adaptada ao Brasil. O candidato afirmou não concordar com a suspensão de direitos adotada pelo país, mas disse considerar positiva a redução dos índices de homicídio e a prisão de criminosos.
Para o combate à violência contra mulheres, Zema prometeu ampliar delegacias especializadas e casas de acolhimento, além de utilizar tornozeleiras eletrônicas para monitorar agressores.
Ele também defendeu medidas de conscientização nas escolas sobre violência doméstica.
Questionado sobre o aumento dos registros de feminicídio em Minas Gerais durante períodos de seu governo, Zema afirmou que considera a tendência dos números ao longo do tempo e disse que o Estado possui taxa inferior à média.
PRIVATIZAÇÕES
Zema reafirmou a intenção de privatizar empresas estatais caso chegue à Presidência.
Ao responder sobre a dificuldade para privatizar a Cemig durante o governo de Minas, afirmou que vendeu 118 empresas e participações do Estado. Também citou a privatização da Copasa e disse que a Cemig e a companhia de saneamento valorizaram cerca de 300% durante sua gestão.
EDUCAÇÃO
Na educação, o candidato prometeu multiplicar por dez o número de escolas de tempo integral no país.
Zema citou a experiência em Minas Gerais, onde afirmou que a quantidade de escolas de ensino médio em tempo integral passou de aproximadamente 70 para mais de 800 durante o período em que governou o Estado.
PREVIDÊNCIA
Zema afirmou que não pretende, inicialmente, aumentar a idade mínima para aposentadoria. Segundo o candidato, eventuais mudanças dependeriam do aumento da expectativa de vida e da ampliação da formalização do mercado de trabalho.
Ele também disse que pretende combater fraudes e reduzir despesas públicas antes de discutir alterações nas regras previdenciárias.
PRÓXIMAS ENTREVISTAS
A entrevista de Zema abriu a série de conversas da Globo com candidatos à Presidência. O primeiro turno das eleições está marcado para 4 de outubro. A próxima entrevista será com Ronaldo Caiado, nesta terça-feira (25). Na sequência, serão entrevistados Renan Santos, Luiz Inácio Lula da Silva, Flávio Bolsonaro e Augusto Cury.
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