A Polícia Federal identificou o senador Flávio Bolsonaro (PL) como “usuário master” de uma conta vinculada a uma offshore relacionada à empresa que detinha participação em um jato utilizado por Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. A informação consta de documentos analisados pelos investigadores e foi divulgada pela jornalista Malu Gaspar, colunista do jornal O Globo.
A conta estava associada à Alcazar Holdings, empresa registrada na Ilha da Madeira, em Portugal. A offshore detinha 33,33% de participação na empresa proprietária de um avião Legacy 650, aeronave utilizada por Flávio em uma viagem entre Brasília e Fort Lauderdale, nos Estados Unidos, em janeiro de 2025.
O mesmo avião também foi utilizado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e pela mulher dele, a advogada Viviane Barci de Moraes.
E-mail entrou na análise
Segundo a investigação, o nome de Flávio apareceu associado à conta com o perfil de “usuário master”, classificação que pode indicar nível elevado de acesso ou gerenciamento em sistemas bancários. Os investigadores chegaram à informação após analisar dados extraídos do iCloud do advogado Willer Tomaz, apontado como único sócio da Alcazar Holdings.
A PF também encontrou um e-mail enviado por uma funcionária de Tomaz ao banco Santander, em maio de 2025. Na mensagem, ela solicitava a desvinculação de contas associadas a Flávio Bolsonaro e ao advogado.
De acordo com a apuração, a situação precisa ser esclarecida para determinar a natureza da relação entre o senador, a offshore e a estrutura empresarial ligada à aeronave.
Flávio nega vínculo
Em nota, Flávio Bolsonaro negou ter mantido qualquer conta na condição de “usuário master” relacionada a Willer Tomaz ou às empresas do advogado. O senador afirmou que as informações nesse sentido são falsas.
A defesa apresentada por Flávio sustenta ainda que o próprio e-mail identificado pela investigação demonstraria que a associação era indevida, uma vez que a mensagem solicita justamente a retirada do vínculo.
Até as informações divulgadas no material de origem, não há indicação de que a identificação do senador como “usuário master”, por si só, comprove irregularidade ou participação em crime.
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