A organizadora do evento de rope jump, Evelyne dos Santos Gonçalves, de 43 anos, responsável pela Entre Cordas (empresa sem registro), foi denunciada por homicídio com dolo eventual - quando não há intenção, mas se assume o risco de matar -, qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
A acusação de homicídio se deu na modalidade de omissão imprópria, visto que o MP entendeu que ela era a garantidora da segurança dos participantes e deixou de agir para evitar a morte. Evelyne também foi acusada pelo crime de fraude processual por tentar eliminar prova relevante para a investigação. O MP pediu ainda a conversão da prisão temporária dela em preventiva, ou seja, por tempo indeterminado.
Procurada pelo Estadão, a defesa de Evelyne informou que ainda aguarda análise da denúncia pela Justiça e que demonstrará a "absoluta inocência da acusada".
Além da organizadora, a promotoria denunciou os três instrutores que aparecem no vídeo lançando Maria Eduarda sem cordas. Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos, Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos, e Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos, foram acusado de homicídio com dolo eventual, qualificado por motivo torpe e recurso que impossibilitou a defesa da vítima. Diferentemente de Evelyne, os três foram denunciados pela ação de arremessar Maria Eduarda. A reportagem tenta contato com as defesas.
Segundo a denúncia, os acusados promoviam saltos de rope jump para cerca de 80 a 100 pessoas por dia de evento sem que houvesse estrutura formal de gerenciamento de riscos e sem observar protocolos básicos de segurança. Os promotores sustentam que os responsáveis pela execução do salto tinham pleno conhecimento dos riscos da atividade, mas deixaram de adotar cautelas necessárias, como a conferência da conexão da corda de segurança e a realização da dupla checagem dos equipamentos.
Maria Eduarda foi submetida à modalidade conhecida como "aviãozinho", na qual os instrutores erguem a praticante e a projetam da estrutura. Para o MP, os acusados lançaram a jovem sem que a corda de segurança estivesse conectada ao seu peitoral, fazendo com que ela caísse de cerca de 40 metros de altura e morresse em decorrência de politraumatismo.
A denúncia também aponta que o grupo de rope jump funcionava sem definição clara de funções, explorava comercialmente a atividade sem atender às exigências legais e priorizava interesses econômicos e a divulgação de saltos nas redes sociais em detrimento da segurança dos participantes. Conforme a acusação, Evelyne deixou de interromper a atividade mesmo após ter ocorrido uma falha operacional semelhante anteriormente.
"A inobservância técnica somava-se à irregularidade formal da própria atividade. Os denunciados exploravam comercialmente o rope jump sem inscrição no Cadastro de Prestadores de Serviços Turísticos (Cadastur) do Ministério do Turismo, sem contratação de seguro de responsabilidade civil e sem a elaboração de termos de conhecimento, de responsabilidade e de ciência de risco a serem firmados pelos participantes, exigências já vigentes à época dos fato", sustentam os promotores.
Sumiço de câmera
A investigação da Polícia Civil, dividida em dois inquéritos, não conseguiu localizar a câmera Go Pro, que estava fixada ao braço da vítima, nem determinar quem retirou o equipamento de Maria Eduarda. Mesmo assim, a organizadora do evento foi denunciada por determinar a localização do equipamento e a exclusão do conteúdo, com o objetivo de dificultar a elucidação dos fatos.
De acordo com o inquérito, uma testemunha afirmou que Evelyne "mencionou expressamente" a necessidade de apagar o vídeo do salto da jovem. O relatório final da Polícia Civil apontou que ao menos três testemunhas relataram que um homem retirou a câmera da vítima. Porém, nenhuma conseguiu reconhecê-lo. Duas testemunhas disseram que se tratava de um homem de cabelo escuro e que usava uniforme da equipe responsável pela atividade.
(Com Agência Estado)
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