O Ministério do Meio Ambiente diz que o avanço das queimadas é 'mais grave' do que o previsto, com perda de áreas no coração da floresta, e enviou força-tarefa para conter as chamas. A seca associada acende o alerta das autoridades para o risco da morte de animais e impacto às comunidades mais isoladas, que dependem dos rios para receber alimentos e se deslocarem.
A capital do Amazonas teve leve melhora na qualidade do ar na manhã desta terça-feira, 13, após chuvas atingirem alguns bairros durante a madrugada. Mesmo assim, a capital amazonense continua com o ar mais poluído do País, segundo a plataforma internacional IQAir (saiba mais abaixo).
Segundo a prefeitura, a fumaça que encobre a capital nas últimas semanas é proveniente de queimadas em outras partes do Amazonas, principalmente nas regiões Leste e no entorno de Manaus.
A capital é um dos 36 municípios do Amazonas que tiveram a emergência reconhecida pelo governo federal por causa dos incêndios. Na tentativa de conter as chamas, começou a atuar nesta semana uma força-tarefa com 290 brigadistas em campo auxiliados por 11 aviões e helicópteros
Segundo o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia, nos dez primeiros dias do mês o Amazonas registrou 1.380 focos de incêndio, alta de 271% ante o mesmo período de 2025.
Cidades como Autazes e a região de Itacoatiara são alguns dos focos da operação. Em Parintins, a 369 km de Manaus, um avião cargueiro KC-390 da Força Aérea Brasileira (FAB) foi enviado. A aeronave tem capacidade para lançar até 12 mil litros de água em uma única passagem.
Já os aviões Air Tractor, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), são usados para lançar água sobre as áreas atingidas pelo fogo. Em Itacoatiara, também está sendo estruturada uma base de apoio para as operações aéreas.
Mais grave que o previsto
Os primeiros relatos do impacto da fumaça em Manaus foram registrados em 8 de setembro, quando o acúmulo de fuligem na atmosfera começou a afetar a rotina da população. No dia seguinte, o governo estadual publicou decreto proibindo o uso do fogo em todo o Amazonas.
No entanto, a gravidade do cenário do Estado foi destacada pelos ministros do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, e da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes, que fizeram sobrevoo da área no domingo. A própria decolagem da comitiva atrasou devido à falta de visibilidade e ao rebaixamento do teto operacional provocados pela poluição na capital.
"Mais grave do que eu imaginava porque identificamos muitos focos de incêndio no meio da floresta preservada. Não se trata apenas daquele fogo que foi colocado na pastagem e adentrou a mata", disse Capobianco. "Vimos focos isolados e de difícil acesso, o que indica ação humana intencional para degradar o bioma e preparar o terreno para futuro desmatamento. É fundamental que as pessoas que estão agindo criminosamente vejam que serão punidas", continuou.
A Polícia Civil do Amazonas informou que investiga a autoria dos incêndios criminosos. Apenas em setembro, a corporação registrou 69 boletins de ocorrência relacionados a crimes ambientais no Estado.
Questionado sobre a permanência das equipes e equipamentos no Amazonas, Capobianco disse que o efetivo continuará no Estado "até apagar os focos de incêndio que estão causando dano à população".
El Niño
A severidade das queimadas no Amazonas foi agravada pela estiagem que atinge a Região Norte, associada aos efeitos das altas temperaturas e do El Niño, que está mais forte neste ano do que em temporadas anteriores.
Historicamente, o impacto do El Niño na região provoca seca severa e estiagem, já que há redução drástica das chuvas pela diminuição da umidade vinda do Oceano Atlântico para a Amazônia. Estados como Roraima, Acre e Amazonas registram rápida piora no quadro de seca.
E, justamente o prolongamento da seca, isso reduz a umidade da vegetação, transforma a matéria orgânica do solo em combustível seco, e dificulta a dispersão da poluição atmosférica nas cidades atingidas.
As operações no Amazonas devem prosseguir ao longo da semana.
Ar insalubre
Em Manaus, após cinco dias com a qualidade do ar comprometida por causa das queimadas, nesta terça-feira, 13, o Índice de Qualidade do Ar (AQI?) da plataforma internacional IQAir marcou 92, classificado como moderado. Apesar disso, a capital do Amazonas continuou com o ar mais poluído do País.
A concentração de partículas finas PM2.5 era de 31 microgramas por metro cúbico (µg/m³). Segundo a IQAir, o nível registrado nesta terça é 6,3 vezes superior ao valor de referência anual para esse poluente estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS).
Comparado com a segunda-feira, 12, o cenário representa melhora em relação aos últimos dias. Por volta das 6h de segunda-feira, o índice chegou a 195, classificado como insalubre, com concentração de PM2.5 de 123 µg/m³.
Como forma de prevenção, a prefeitura manteve as aulas da rede municipal suspensas nesta terça-feira para reduzir a exposição de estudantes e profissionais da educação à fumaça.
Ao longo da segunda-feira, 12, alertas foram enviados por WhatsApp pelo governo federal aos moradores em áreas afetadas pelas queimadas. O aviso ressalta que a região está sob alerta de incêndios e que a poluição traz sérios riscos respiratórios à população. Entre as recomendações de saúde, estão: uso de máscaras e vedação de ambientes. O alerta também orienta que pessoas com sintomas procurem a Unidade Básica de Saúde (UBS) ou o serviço de emergência do SUS mais próximo.
(Com Agência Estado)
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