A dívida federal dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões, equivalente a cerca de R$ 206 trilhões, em agosto deste ano, durante o segundo mandato do presidente Donald Trump. A marca também recuperou uma declaração feita pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante entrevista ao Jornal Nacional, quando citou justamente o endividamento norte-americano ao ser questionado sobre a situação fiscal brasileira.
Segundo dados citados pela Reuters, a dívida americana atingiu oficialmente a marca de US$ 40 trilhões em 18 de agosto. Poucos dias depois, em entrevista concedida à Globo, Lula mencionou o valor ao comparar o endividamento de diferentes países.
“Olha para o Japão, olha para a Itália. Você sabe qual é a dívida dos Estados Unidos? 120% do PIB, é 40 trilhões de dólares”, afirmou o presidente.
A proporção citada por Lula estava próxima da realidade, embora os dados de agosto apontassem a dívida bruta federal americana em aproximadamente 126% do Produto Interno Bruto (PIB).
DÍVIDA CRESCE DURANTE GOVERNO TRUMP
Trump voltou à Casa Branca em janeiro de 2025 com a promessa de reduzir gastos públicos, diminuir o tamanho do governo e controlar os déficits.
Entre as medidas adotadas esteve a criação do Departamento de Eficiência Governamental (DOGE), que teve Elon Musk entre os principais responsáveis no início do programa e buscou reduzir despesas e estruturas da administração federal.
Apesar das medidas de corte, a dívida continuou crescendo. O aumento é resultado de um processo que atravessa diferentes governos americanos e está relacionado a déficits sucessivos, despesas com programas sociais, gastos militares, crises econômicas e, principalmente, ao custo dos juros da própria dívida.
De acordo com projeções do Congressional Budget Office (CBO), órgão técnico do Congresso dos Estados Unidos, uma lei aprovada em 2025 deverá elevar os déficits acumulados do país em aproximadamente US$ 4,7 trilhões entre 2026 e 2035.
O órgão também estima que as tarifas adotadas pelo governo Trump tenham efeito contrário, reduzindo os déficits em cerca de US$ 3 trilhões no mesmo período.
COMPARAÇÃO COM O BRASIL
Ao comentar a situação brasileira, Lula afirmou que o crescimento econômico pode ajudar a reduzir a relação entre a dívida e o PIB.
A comparação entre os dois países, porém, possui diferenças importantes. Os Estados Unidos emitem o dólar, principal moeda de reserva internacional, e possuem condições distintas de financiamento da dívida.
Também existem diferentes formas de calcular o endividamento americano. Os US$ 40 trilhões correspondem à dívida federal bruta, que inclui títulos em poder de investidores e obrigações entre órgãos do próprio governo.
A parcela da dívida americana mantida pelo público estava em aproximadamente US$ 32,3 trilhões em agosto.
BRASIL PROJETA RECEITA RECORDE
Enquanto a dívida americana ultrapassa os US$ 40 trilhões, o governo brasileiro trabalha com uma projeção de R$ 3,24 trilhões em receitas totais para 2026, equivalente a 23,7% do PIB.
O percentual, caso confirmado, será o maior da série histórica do Tesouro Nacional, iniciada em 1997. O recorde anterior foi registrado em 2010, quando a receita total chegou a 23,6% do PIB.
A receita total não representa apenas a arrecadação de impostos. O cálculo inclui outras fontes de recursos, como royalties, dividendos, concessões e demais receitas do governo federal.
A trajetória da dívida americana e as projeções fiscais brasileiras ocorrem em contextos econômicos diferentes e não permitem uma comparação direta apenas pelos valores nominais.
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