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Brasil Quarta-feira, 17 de Junho de 2026, 10:19 - A | A

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Quarta-feira, 17 de Junho de 2026, 10h:19 - A | A

MASTER NO STF

Decisão sobre prisão de pai do Vorcaro escancara tensão

Sessão mostrou mais do que a visão sobre seu eventual papel no esquema, mas as posições de cada integrante da turma no Caso Master — e os seus recados

G1

A decisão da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) de manter a prisão de Henrique Vorcaro, pai do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, foi lida nos bastidores do Supremo como muito mais do que um julgamento sobre medidas cautelares.

Na avaliação de ministros e interlocutores da Corte ouvidos pelo blog [da Andréia Sadi], o resultado acabou expondo as posições de cada integrante da turma e revelou uma disputa silenciosa em torno das investigações do Caso Master.

O relator, ministro André Mendonça, aproveitou o voto para deixar alguns recados claros. Primeiro, que as investigações continuam e não estão próximas do fim. Segundo, que ele acompanha com atenção as movimentações que, segundo interlocutores, tentam enfraquecer ou interromper a apuração. E, terceiro, que o ambiente na Segunda Turma tende a ficar mais tenso à medida que novos capítulos do caso chegarem ao colegiado.

Nos bastidores do STF, a leitura é de que existe uma espécie de guerra fria em torno do caso. As posições ficaram mais delimitadas e os movimentos mais explícitos. Nesse contexto, o ministro Kassio Nunes Marques é visto como personagem central do julgamento.

Havia a expectativa e pressão de diferentes lados sobre qual seria o seu posicionamento — o blog recebeu relatos de que houve muita pressão nos bastidores para entender de qual lado a balança de Nunes Marques ia pesar.

Mas, assim como aconteceu quando decidiu pela manutenção da prisão de Daniel Vorcaro, Nunes Marques acompanhou André Mendonça e votou por manter seu pai preso. Interlocutores da Corte avaliam que pesaram as informações reunidas na investigação e a gravidade dos fatos atribuídos a Henrique Vorcaro.

O julgamento também deu visibilidade ao voto divergente do ministro Gilmar Mendes. Gilmar questionou a necessidade da manutenção da prisão de Henrique Vorcaro, argumentando que figuras da gestão direta do banco já haviam sido soltas, o que feriria a isonomia.

Ele foi além, sugerindo que a detenção do pai poderia ser uma manobra para pressionar Daniel Vorcaro a fechar um acordo de delação premiada, traçando um paralelo direto com os métodos da antiga Operação Lava Jato. Em resposta, Mendonça rebateu que Henrique não foi preso por ser pai do banqueiro, mas sim porque continuava a praticar crimes, conforme indicariam mensagens recentes.

Vale notar que o colegiado da Segunda Turma não votou em sua totalidade: o ministro Dias Toffoli, embora faça parte da turma, não participou deste julgamento específico.

O resultado dessa terça-feira (16), portanto, vai além da decisão sobre a situação jurídica do pai de Daniel Vorcaro. Para ministros ouvidos nos bastidores, a sessão desta terça funcionou como uma fotografia do momento atual do Supremo diante do Caso Master: posições mais expostas, recados mais diretos e uma disputa que está longe de terminar.

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