Ao ser pressionado para detalhar se mudaria ou manteria as regras que vinculam receitas para a saúde e educação ao teto de gastos, o candidato afirmou que não mexeria nos pisos e nem no salário mínimo: "Pelo amor de Deus, isso é muito importante... eu jamais (mexeria) na minha vida... eu sou um médico, um cirurgião!".
Quando os entrevistadores Cesar Tralli e Renata Vasconcellos questionaram diretamente quais seriam as prioridades de corte de verba e o quanto seria economizado para alcançar o ajuste fiscal, o candidato mencionou uma proposta genérica de limitar as despesas à correção da inflação e listou categorias amplas a serem "adequadas": subvenções, incentivos fiscais, corrupção, salários em excesso e emendas impositivas.
Perguntado de forma direta sobre qual seria sua proposta para garantir a sustentabilidade da previdência diante do envelhecimento populacional, Caiado recusou-se a dar detalhes técnicos da economia, exclamando: "Nós não estamos aqui numa mesa examinadora".
Os entrevistadores perguntaram três vezes à Caiado se ele pretendia alterar a idade mínima para a aposentadoria. Na última vez, ele argumentou que seu plano de governo apenas define "metas" e "parâmetros máximos" gerais e voltou a listar tópicos vagos como combate à corrupção, correção de salários distorcidos e desvios de verbas de emendas parlamentares.
Ao final da sabatina, para justificar a ausência de uma proposta estruturada para os brasileiros, ele afirmou ter "medo de iluminados". Em seguida, defendeu que ele deve ter a humildade para chamar especialistas e servidores públicos para construir as propostas e encontrar soluções apenas após sua possível eleição.
Anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro
Caiado foi mais enfático sobre a proposta de anistia aos condenados pelo 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, a medida será enviada ao Congresso, caso ele seja eleito presidente, para "pacificar o País".
Ele garantiu que tomará a iniciativa de propor a medida ao Legislativo: "encaminharei sim ao Congresso Nacional um projeto para que haja uma anistia geral ampla e irrestrita".
Para justificar tal decisão, Caiado argumentou que o sentimento de vingança não faz parte da identidade do país: "Ele o brasileiro não é de construir o ódio, ele não é de construir esse processo de revanche eterno".
Segurança Pública
Outro assunto bastante abordado por Caiado foi a questão da Segurança Pública. No começo da sabatina, ele afirmou que o Brasil está "todo dominado pelas facções criminosas" e classificou o país como "a Disneylândia do narcotráfico".
Segundo o candidato, o crime organizado opera com a "conivência" do governo federal e mantém cerca de 60 milhões de brasileiros "escravizados" pelo narcotráfico. Ele não apresentou fonte para esse dado.
A principal proposta de Caiado para a área é criar uma polícia unificada permanente composta pelo Brasil e os 10 países da América do Sul que fazem fronteira com o território nacional para combater o tráfico de drogas, o contrabando de armas e a lavagem de dinheiro.
O candidato defendeu que essa polícia teria "toda a liberdade de adentrar" em todos os países membros (incluindo o Brasil) sem que isso represente um comprometimento da soberania nacional. Ele negou que militares americanos teriam o direito de entrar no Brasil por causa dessa proposta.
Ao detalhar o funcionamento desse modelo de integração, ele o comparou à Europol (Agência da União Europeia para a Cooperação Policial). Mesmo assim, divergiu de Renata Vasconcellos que reiterou o papel da agência europeia. Ela tem o poder de apenas compartilhar as informações entre os países membros, enquanto a polícia que Caiado propõe teria poder de realizar prisões em campo e entregar os detidos às autoridades locais.
(Com Agência Estado)
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