Sábado, 28 de Março de 2020, 13h:58

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Quarentena e compulsão alimentar

Por: ANDRÉIA V. BERTHI

Divulgação

Andréia Vieira Berthi


Estamos vivendo um período muito difícil no mundo todo em razão da pandemia. É lógico que o nível de ansiedade sobre qualquer pessoa está alto. Mas não é só isso, a quarentena - a principal arma no combate da disseminação da doença - também é um dos fatores que estão favorecendo negativamente os níveis de ansiedade sobre todos nós. Nesse sentido, estar isolado nos lança um grande alerta sobre os transtornos alimentares. E um dos principais deles é a compulsão alimentar.

Mas o que é compulsão alimentar??

Não podemos confundir a compulsão com comer muito de forma esporádica. Principalmente em períodos de festas como final de ano ou festas juninas. A compulsão se dá em razão da pessoa comer com maior frenquencia e de forma excessiva mesmo estando sem fome. Além disso tem outras características tais como comer  de forma bem mais  rápida e não ter controle sobre aquilo que come. Apresenta hábitos de comer escondido e sozinha, são os "assaltantes" de geladeira. O alimento funciona como alívio de algo que já não é mais a fome, mas um transtorno psiquiátrico com comprimento psíquico e nutricional.

Normalmente as pessoas com compulsão alimentar ingerem alimentos calóricos e em grande quantidade. O que chama a atenção é a rapidez da ingestão e como esses hábitos se repetem ao longo do dia. Daí a importância, nesse período de quarentena, observar as mudanças de comportamento, sobretudo durante as refeições. Mas o que a caracteriza como compulsiva, além de todos esses sinais, é o fato dela se tornar dependente da comida. Entenda-se essa dependência como algo sem controle e acima da racionalidade de quem a tem. Assim, para essas pessoas, comer se torna um vício.

Alguns dados são relevantes em relação a compulsão alimentar, cerca de 75% das pessoas acometidas desse transtorno se tornam obesas. Isso impacta diretamente na forma como essas pessoas se vêm. Além disso têm um maior número de depressão e, lógico, ansiedade. Um estudo recente revelou que 40% das pessoas que fizeram cirurgia bariátrica tinham transtorno compulsivo. Talvez isso explique a compulsividade de parte dos pós-bariátricos a outros tipos de compulsão, como álcool e droga.

O tratamento da compulsão alimentar exige uma abordagem multiprofissional que passa pelo nutricionista, médico psiquiátra, psicólogo e também educador físico. Essa forma mais ampla de tratamento terá mais eficácia na resolução do problema. Todas as estratégias são válidas pra dar mais qualidade de vida a quem está sofrendo desse transtorno. Sabemos que alguns medicamento são parte do tratamento, mas uma dieta balanceada e com acompanhamento psicológico são ferramentas importantes e necessárias para um bom resultado.

O mundo parece em pânico, mas comecemos a cuidar de nós mesmos e a observar nossas atitudes, pois a tranquilidade e bem estar do mundo começa dentro da nossa casa.

(*) Andréia Vieira Berthi Kruger é Coaching de Saúde e Bem-estar, Nutricionista, Educadora em Diabetes, Consultoria em Diabetes, Culinarista Saudável, Personal Diet Adulto e kids, Reeducadora Alimentar e Consultora empresarial - BUSINESS PLAN. Instagram: @andreia_nutrid1

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