Li esta semana uma reportagem sensacional sobre um dos locais que marcaram a minha infância e juventude, o Cine Bandeirantes.
Ali passei horas inesquecíveis. O escritor Aníbal Alencastro narrou com impressionante precisão o que foi o cinema xodó dos cuiabanos.
Como era bom o ambiente da cidade em que vivo. As rodas de “tabufo” com figurinhas, de jogadores de futebol, e de animais, na porta da Papelaria União, ou nos bancos da praça Alencastro, dividia a gurizada em “turmas”, a do Baú (temida por todas as outras), a do Porto, a do Bosque, a do Campo D´Ourique etc.
Tabufo, para quem não sabe, era colocar as figurinhas suas e as do adversário no banco e na “mão grande” pega-las e sair correndo. O autor dessa façanha tinha que estar com a canela bem “afiada”, pois caso contrário, era alcançado pela outra turma e a surra inevitável!
E a “guerra” de mamona? Dividiam-se em duas turmas, cada um com sua funda, (na minha época chamava-se funda mesmo) hoje a criançada conhece por estilingue. Um dos locais preferidos era um casarão abandonado na avenida Getúlio Vargas em frente ao hotel Amazon(antigo Santa Rosa) ou o terreno baldio, na mesma avenida onde hoje funciona a Microlins. Deus protegia tanto os protagonistas dessa “guerra”, que dificilmente um levava uma pelotada de mamona no olho.
Final de semana chegando, e todos esperavam pela missa das sete da manhã aos domingos, na Igreja da Boa Morte. No fundo no fundo, não era por causa da missa, e sim pelo futebol após a missa que disputaríamos no campinho da casa paroquial. Frei Quirino reunia a gurizada, e quem não assistisse à aula de catecismo, ficava proibido de jogar. Durante as aulas podia se ouvir o bater das asas de uma mosca, porem após o término, poucos conseguiam repetir um só assunto lá enfocado. O pensamento era um só: estrear a bola nova comprada na sapataria Trindade, com nosso próprio suor, vendendo jornais, frutas e garrafas.
Após o jogo, subindo a rua Cândido Mariano, uma parada no bar do Sinfrônio era “lei”. Com a boca avermelhada de tanto chupar picolé de groselha, corríamos para casa a fim de tomar um banho e às treze horas, quase todos estavam na porta do Cine Teatro Cuiabá, trocando gibi, comprando um chicletes e ao som de “Theme from a summer place” (Tema de um lugar de verão),
as luzes da sala de projeção iam se apagando, os “lanterninhas” colocando-se em posições estratégicas para impedir namoricos mais extravagantes, e na tela aparecendo no Canal 100 de Carlos Niemeyer as notícias e os jogos de semanas passadas, única maneira, de nós cuiabanos, vermos os gols dos campeonatos paulista e carioca. Ninguém ia embora após o filme, pois uma das coisas que a gurizada mais gostava era o seriado (tipo novela), que começaria imediatamente após. Vi um bocado deles, porem dois faziam minha preferência, a Adaga de Salomão e Zorro. Desde essa época o Sargento Garcia tentava prender o Zorro. Não conseguiu até hoje!
Isto era minha querida cidade. Ninguém chamava as Lavras do Sutil de Ilha da Banana. Ninguém era cretino!
“Filmes” deste tipo, que rolam vira e mexe em minha mente, trazem muitas saudades da infância que vivi.
Use sua mente e busque no “baú” da sua vida, momentos inesquecíveis vividos por você, seus amigos e sua família. Ative a chama de saudade do seu coração. Vale a pena!
*EDUARDO PÓVOAS é odontólogo pós graduado pela UFRJ.
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Odette Catherine Louise Tréchaud 06/07/2017
Adorei sua matéria Eduardo Póvoas ! Saudades também dessa época sem malícias e maldades . Parabéns! ... e viva nós cuiabanos!
Benedito Addôr 04/07/2017
Ontem o meu vizinho deu uma notícia incrível, chegou ser carnê do IPTU, valor de sua casa, que está prestes a ser demolida, no carnê: 1 Milhão de Reais; mas o Governo quer pagar de indenização uma miséria. Ele correu no IPHAN e pegou uma Declaração, a famosa Declaração do IPHAN, que são concedidas desde 1.994, onde diz que o imóvel faz parte do patrimônio histórico. Protocolou na Prefeitura e conseguiu a isenção do IPTU. Quer dizer que Declaração do IPHAN funciona? Se funciona, funciona também a Instrução Normativa, que lhe dá respaldo, especialmente o Artigo 2º, que diz que os imóveis da área frontal à Igreja do Rosário tem PRESERVAÇÃO ASSEGURADA. Como Declaração, Instrução Normativa do IPHAN, funcionam se estão demolindo todas as casas? Tem alguma coisa errada nessa estória. Funciona mas estão passando por cima? Em 20/7/2015, o Procurador da República, Dr. Marco Antônio Ghannage Barbosa, com base nas Declarações do IPHAN e no Artigo 2º da Instrução Normativa, destacou: Nesse ínterim, é clarividente que os imóveis possuem especial proteção. Levou também em consideração a própria propaganda oficial do VLT, que pode ser visualizada na matéria do hipernoticias intitulada: Morador argumenta em vídeo que Ilha da Banana não atrapalha a rota do VLT. A grande mentira foi dizerem, desde 2013, para a sociedade cuiabana que as casas em frente à Igreja do Rosário atrapalhavam a passagem do VLT. Nunca atrapalharam coisa alguma. Se não retirarem as casas, o VLT não passa, foi Mentira (com M maiúsculo). Se as casas atrapalhassem a passagem do VLT já teria saído da casa faz tempo, pois não sou contra o progresso de Cuiabá.
Carlos Nunes 04/07/2017
Recordo de todos os cinemas de Cuiabá...Cine Serra, Cine São Luiz do Porto, Cine Teatro Cuiabá, Cine Bandeirantes, além do melhor cinema da Capital Cine Tropical...no sábado à noite, antes de começar a sessão, tinha música ao vivo. Além dos cinemas ao ar livre do Nevio Lotufo, do padre Vanir. Aos domingos a gente assistia 3 filmes: sessão das 13 horas no Cine Teatro, saia correndo e ia assistir a sessão das 15 horas no Bandeirantes, saia correndo e ia assistir a sessão das 17 horas no Tropical. Nessa época não tinha televisão em Cuiabá...esta apareceu bem depois com a Antonieta Ries Coelho, que vendeu as primeiras TVs a cores de Cuiabá. Aonde anda essa senhora que implantou a TV em Cuiabá?
Benedito Addor 04/07/2017
É sempre bom ouvir um cuiabano nato lembrar sobre Cuiabá. Moro há 51 anos na área frontal à Igreja do Rosário e nunca ouvi o nome Ilha da Banana. Tenho papéis, documentos, Declarações, que provam irregularidades fantásticas na desapropriação de toda a área, mas não tenho Defensor Público para me defender. Apesar de que, em 5/12/2016, teve Julgamento do meu caso no Conselho Superior do MPE, e um promotor disse que eu tinha tido e teria ampla defesa. Quero relatar que nunca tive ampla defesa nenhuma. Parece que Defensoria nunca vai contra o Governo, na defesa do cidadão. Se não fosse a ONG MORAL já teria perdido a casa desde 2013. Como os cuiabano dizem: já estaria faz tempo no olho da rua. Cadê o Defensor Público para me defender? Fui até a Defensoria e mandaram voltar em Setembro. Lembrei daquele filme famoso: Quando o Setembro vier. Recentemente o pessoal da demolição por aqui foi retirar uma árvore e levou quase o telhado da casa embora. Lembrei daqueles filmes do Gordo e o Magro; do Charles Chaplin, onde arrancava as casas, e um olhava para o outro com uma cara de idiota; aí riam de si mesmos, porque no fundo sabiam que idiotas eram eles. No final vou ser mais um cuiabano idiota. A turma que chamou o lugar de Ilha da Banana chegou lá do caixa prego só para fazer mais um cuiabano de idiota. Só nós aceitamos isso.
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