Artigos Sábado, 03 de Dezembro de 2011, 17:00 - A | A

Sábado, 03 de Dezembro de 2011, 17h:00 - A | A

Muito estranho

A presidente Dilma Rousseff trabalha com dois pesos e duas medidas. Manteve seus ministros da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, e Ideli Salvati, que ocupava a insignificante pasta da Pesca e foi promovida para a Articulação Política

ARTHUR VIRGILIO

Divulgação

Lisboa – A presidente Dilma Rousseff trabalha com dois pesos e duas medidas. Manteve seus ministros da Ciência e Tecnologia, Aloízio Mercadante, e Ideli Salvati, que ocupava a insignificante pasta da Pesca e foi promovida para a Articulação Política. Ambos foram acusados de envolvimento no episódio do dossiê falso contra José Serra.

Tentou manter seu Ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, e, quando isso se tornou inviável, elogiou-o, à saída, com palavras fraternas. O mesmo se deu com Pedro Novais, do Turismo, envolvido em irregularidades com ONGs que atuavam em sua área.

Fez o impossível para segurar Antônio Palocci e, de novo, na despedida soleníssima no Palácio do Planalto, derramou-se em encômios na direção do homem que enriquecera “milagrosamente”, agradecendo-lhe pelos “serviços prestados à pátria”. Idêntico comportamento exercitou quando a posição de seu Ministro da Agricultura se revelava insustentável: praticamente o desagravou pelas “injustiças” sofridas, apesar de ter ficado provada não só a fortuna ilícita acumulada por esse personagem, como a intromissão direta de um lobista em decisões ligadas a licitações nessa pasta.

Com Orlando Silva, do Esporte, flagrado em grossas tramóias que beneficiavam militantes e a máquina partidária do PC do B, Dilma agiu quase que com amor materno: “você sai, Orlando, para defender a sua honra” e por aí afora, como se alguém somente pudesse defender a própria honra fora do Ministério e como se Orlando, após a demissão tivesse aberto a boca para rebater qualquer acusação feita contra sua gestão. Ao contrario, entrou na muda e lá ficou.

Com Carlos Lupi, do Trabalho, e Mario Negromonte, das Cidades, a coisa foi pior ainda. Sabe que os dois não são mais ministros de fato, sabe que o normal teria sido defenestrá-los, mas, acuada pelo PDT e pelo PP, resolveu dar-lhes sobrevida até janeiro, quando deverá ocorrer a tão propalada reforma do gabinete. Ou seja, ambos são acusados de corrupção, porém vão sair junto com outros auxiliares que se mostraram inoperantes e com titulares de pastas inúteis que deverão ser extintas. Sairão, portanto, misturados na multidão, disfarçados de incompetentes ou de titulares de postos desnecessários para o funcionamento da administração.

Em menos de um ano, nove ministros foram seriamente questionados. Herança da permissividade de Lula, que Dilma não desconhecia, “gerentona” do governo que era. Talvez um recorde, entre os países politicamente civilizados.

Estranho nisso tudo é Nelson Jobim, que dirigiu a Defesa, e não foi acusado de corrupto – saiu por mera desinteligência com Dilma – não ter merecido elogio nenhum ao deixar seu Ministério.
Poucas vezes em minha vida presenciei inversão de valores maior.

(*) ARTHUR VIRGÍLIO é Diplomata, foi líder do PSDB no Senado

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