Francisco Augusto Falcão Filho nasceu em 09 de setembro de 1964, em Cuiabá. Era chamado de Falcãozinho ou Filhote, irmão de Cilbene da Silva Falcão, filho de Francisco Augusto Falcão, conhecido por Licó, um odontólogo conhecido da região mato-grossense e Conceição da Silva Falcão, mais conhecida como Ceta, filha de Ató (Antônio Lourenço da Silva e Melita (Carmelina Figueiredo da Silva), famílias Poconeanas. Falcãozinho tinha como avós paternos, Benedito Falcão de Arruda, moço bonito, com o apelido de Didi e Maria Augusta, a dona Dudu.
Nós somos assim em Mato Grosso, carregamos os apelidos herdados da nossa infância, dos nossos pais, dos familiares e transmitimos aos nossos descendentes. É uma forma carinhosa de viver e conviver.
Falcãozinho é descendente de Gregório Paes Falcão, um sonhador que tinha por objetivo conhecer as barrancas dos rios Alegre e Paraguai. Partilhou com a esposa, Maria Carmina das Dores este sonho e, virou realidade. Em um certo dia partiram para a conquista rumo ao pantanal poconeano. A condução da época, um carro de boi. Junto as crianças, as galinhas, cachorros, as cafuzas e os apetrechos de cozinha para o preparo das matulas, dos almoços, do café acompanhados todos por Deus.
A cada parada, a fome encontrava uma bela maria-isabel, acompanhada de uma paçoca de pilão e água fresca e saborosa da região pantaneira. À noite, o sono e os sonhos eram embalados por uma gostosa rede e um céu inteiro de teto que emoldurava com as estrelas e o luar, acompanhado dos cantos e sons dos animais. A cada manhã, um belo guaraná de ralar.
Estabelecidos na região de Poconé, Falcãozinho e Silbene cresceram e passaram a sua infância, brincadeiras, peraltices e, outros, em plena fazenda Cessna, acompanhados dos pais Licó e Ceta.
Falcãozinho gostava de futebol, jogar bola, assistir a treinos e, por iniciativa própria, participar dos mesmos. Foi mascote do Clube Esportivo D. Bosco. Era admirador dos times do Santos e do Flamengo. Gostava das festas de santos e não se furtava delas, inclusive, carregando o mastro e participando delas. Admirava as flores dos aguapés, as flores e asas plantas pantaneiras. Era comum presentear a sua mãe com uma delas, quando de volta das suas criancices e brincadeiras. Não dispensava ouvir uma estória de amassa-barros, sua predileta. Não frequentou escola, mas, deixou as suas memórias grafadas em desenhos que marcaram a sua vida.
O pantanal de Falcãozinho não era um lugar “ de atoleiros e de águas estagnadas, nem insalubre, como o imaginam os que não conhecem”. É uma região saudável, de fauna e flora exuberantes. É o jardim zoobotânico do Senhor Deus, nosso Pai, criador do céu e da terra, escreveu o professor Otávio Domingos, da Universidade Rural-km 47, em depoimento firmado no livro falcãozinho, do Padre Firmo Duarte.
Em Cuiabá, pelo seu espírito companheiro, festivo, agregador, líder, brincalhão, curioso, com conhecimentos, além da sua idade, foi criada a Creche Falcãozinho, no bairro do Porto.
Se vivo estivesse, neste setembro, completaria 56 anos de idade, porém faleceu em 27 de maio de 1971. Hoje, ele ficaria muito triste com os acontecidos no seu pantanal pois, amava o pantanal da sua infância, vibrava com o canto de um grilo, admirava os jacarés. Viveu entre os rios, verdes, corricho, borboletas, cavalos, pássaros, onças, tuiuiús, garças, e muito mais. Hoje consumido pelas chamas provocadas por mãos criminosas do homem. Que Deus nos ajude com as chuvas colocando fim em tanto sofrimento para homens, animais, flora e fauna.
(*) NEILA BARRETO é jornalista, escritora, historiadora e Mestre em História e escreve às sextas-feiras para HiperNotícias. E-mail: [email protected]
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