Sábado, 17 de Janeiro de 2026
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

00:00:00

image
facebook001.png instagram001.png twitter001.png youtube001.png whatsapp001.png

00:00:00

image
dolar R$ 5,36
euro R$ 6,23
libra R$ 6,23

Artigos Sexta-feira, 11 de Agosto de 2023, 07:02 - A | A

facebook instagram twitter youtube whatsapp

Sexta-feira, 11 de Agosto de 2023, 07h:02 - A | A

LANE COSTA

Elas no IFMT – Última parte

LANE COSTA

Reprodução

LANE COSTA

 

Sabia que sou poeta?/ Não é festa,/ É posição de vida./ Não é escolha,/ É postura./ Sou folha/ Que a vida empurra./ Na poesia sou burra,/ Deus toma a decisão./ Quero avisar/ De antemão:/ Sou poeta até no avesso./ Meu poético processo/ Dirige o meu coração (Luciene de Carvalho)

Escrevi, anteriormente, sobre o convite que recebi para participar das atividades do dia 25 de julho, Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha e Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Nesta oportunidade foi lançada a Comissão Elas no IFMT, que tem por objetivo valorizar o trabalho feminino e prevenir o sexismo no âmbito da instituição.

Foi um momento rico de reflexões, onde pontuamos o significado histórico daquele evento, da necessidade de darmos visibilidade a luta das mulheres negras no Brasil , no mundo e na instituição, as implicações da luta de classes, do mundo do trabalho, das lutas dos movimentos sociais e movimentos de mulheres que resistem a ofensiva do capital e se organizam em entidades e articulações feministas, contribuindo assim para os avanços civilizacionais, com mais políticas públicas.

Volto a estas questões logo no início do Agosto Lilás, mês dedicado a campanha de conscientização da sociedade sobre a necessidade do fim da violência contra as mulheres, para dar visibilidade a Lei Maria da Penha, criada para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, que neste dia 07 de agosto completa 17 anos e, também, para reforçar a pertinência da Comissão criada e lançada no IFMT.

Como observei no artigo anterior, o espaço escolar não é uma ilha e os fenômenos que ocorrem na sociedade se manifestam no cotidiano das escolas. No caso dos institutos federais, que recepcionam ao mesmo tempo pessoas nos diferentes níveis, modalidades, faixas etárias, gênero, raça, classes sociais, áreas do conhecimento e profissões, há uma constante tensão e efervescência quando o assunto é debater a questão de gênero, sobretudo, sobre as mulheres.

Não é raro nos depararmos com estudantes vítimas de violência doméstica, de violência moral, sexual e até mesmo de feminicídio. Também não é raro relatos de servidoras, professoras e técnicas administrativas que também passaram por experiências semelhantes, no espaço privado ou público.

E se pensarmos que a escola é um espaço de socialização, podemos inferir que nela, vítimas e agressores – aqueles que praticam violências contra mulheres –, anônimos ou não, se encontram cotidianamente e interagem entre si, reproduzindo comportamentos historicamente denunciados: de um lado a certeza da impunidade, a naturalização do machismo e da violência. De outro, o constrangimento, o medo, a revolta, a dor e a solidão da indignação.

Sabemos que as escolas públicas têm papel social relevante que, segundo Anísio Teixeira (1936), seriam máquinas que preparam as democracias, portanto, espaços de fruição importante e privilegiado para o debate da superação e combate as violências contra mulheres, pois possuem um conjunto de instrumentos e ferramentas preciosas, como o currículo, a formação de professores e servidores da educação, a assistência estudantil, a promoção de atividades culturais, criação de grupos de estudos, o estímulo a leitura, revitalização dos livros didáticos e muito mais.

Quando servidoras do IFMT se predispõe a criar uma Comissão para tratar tais temais e recebe o apoio institucional aplaudo com vigor, pois é o passo à frente que precisávamos para reconhecermos que temos problemas, mas também perspectivas para redesenharmos a presença das mulheres na instituição.

Em minha contribuição ao debate de lançamento da Comissão, apontei quatro questões que considero fundamentais para o desenvolvimento dos trabalhos: a primeira é a ampliação da comissão para a participação de mulheres de todos os campi, considerando ser uma instituição multicampi. A segunda questão é o desenvolvimento de uma campanha de promoção de quadros femininos em comissões, cargos e postos de chefia, haja vista a baixa presença feminina em postos de poder ao longo dos seus 114 anos.

A terceira é o cuidar mais e melhor dos nossos currículos, em todos os cursos, de forma que todos que passem por nossa instituição sejam tocados pela temática de uma educação emancipatória para mulheres e homens. E a quarta e mais polêmica das propostas é que a comissão dialogue com a instituição para que se dê celeridade aos processos de assédio envolvendo servidores. Não compactuo com denuncismos (que só servem para desconstruir pessoas), mas há relatos preocupantes e o IFMT tem o dever de averiguar e dar os devidos encaminhamentos. A celeridade nesses casos é imprescindível para que a nossa instituição não figure como conivente desse tipo de postura. Não se trata de uma caça às bruxas, mas de restituir a dignidade às vítimas desse tipo de violência na instituição.

Feitas as contribuições, espero que as palavras compartilhadas sirvam de reflexão para outras pessoas, instituições e escolas. Que as colegas da Comissão Elas no IFMT tenham sucesso em suas empreitadas, honrando assim todas as mulheres que vieram e lutaram antes de nós, que lutam ao nosso lado ou venham a lutar, pois sei que esta luta não é uma escolha, é posição de vida, é postura que a vida empurra!

(*) LANE COSTA é Professora. Presidente Municipal do PCdoB/Cuiabá.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

Clique aqui e faça parte no nosso grupo para receber as últimas do HiperNoticias.

Clique aqui e faça parte do nosso grupo no Telegram.

Siga-nos no TWITTER ; INSTAGRAM  e FACEBOOK e acompanhe as notícias em primeira mão.

Comente esta notícia

Maristela 11/08/2023

Marilane une a poesia à luta política, que não pode ser feita sem lirismo.

positivo
0
negativo
0

1 comentários

Algo errado nesta matéria ?

Use este espaço apenas para a comunicação de erros