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Artigos Sábado, 24 de Outubro de 2026, 13:10 - A | A

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Sábado, 24 de Outubro de 2026, 13h:10 - A | A

ANDRÉ POZETI

Direita ou esquerda: estamos votando por convicção ou por rejeição?

ANDRÉ POZETI

Reprodução

ANDRÉ POZETTI

Em um país marcado pela polarização política, uma pergunta merece ser feita às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais: o brasileiro está escolhendo seu candidato pelas propostas que apresenta ou simplesmente para impedir a vitória do adversário?

A disputa entre direita e esquerda ultrapassou, em muitos momentos, o campo das ideias. Está presente nas reuniões familiares, nas amizades, nos ambientes de trabalho e, principalmente, nas redes sociais, onde opiniões diferentes frequentemente se transformam em confrontos pessoais.

A divergência política é legítima e necessária à democracia. O problema surge quando a paixão partidária substitui a reflexão e o eleitor deixa de analisar propostas, trajetórias e compromissos para decidir movido exclusivamente pela identificação ou rejeição a determinado grupo político.

Votar conscientemente não significa abandonar convicções ideológicas. Significa compreender que a escolha de um presidente envolve consequências que ultrapassam as disputas eleitorais.

O voto consciente exige informação, senso crítico e responsabilidade. É importante conhecer as propostas dos candidatos, avaliar sua viabilidade, examinar suas trajetórias públicas e compreender os limites constitucionais do cargo que pretendem ocupar.

Também é fundamental distinguir fatos de informações falsas ou distorcidas. Em tempos de redes sociais, compartilhar uma notícia sem verificar sua procedência pode contribuir para a desinformação e prejudicar a qualidade do debate público.

Direita e esquerda apresentam diferentes visões sobre o papel do Estado, a economia e as políticas públicas. Essas diferenças devem ser discutidas com seriedade, sem que a opção política de cada cidadão seja utilizada para desqualificá-lo pessoalmente.

A Constituição Federal estabelece que todo poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos constitucionais. O voto, portanto, não é apenas uma manifestação de preferência, mas um instrumento de participação nas decisões que influenciam o futuro do país.

É preciso lembrar que, encerrada a eleição, os desafios nacionais permanecem. Saúde, educação, segurança, economia e desenvolvimento continuarão exigindo decisões públicas, independentemente de quem vencer a disputa.

A experiência de quem já integrou a Justiça Eleitoral reforça a importância de preservar a liberdade de escolha e o respeito à vontade popular. Mas essa liberdade alcança seu maior significado quando acompanhada de informação e reflexão.

Neste domingo, mais importante do que votar contra alguém é compreender por que se está votando em alguém.

O eleitor não precisa abrir mão de suas convicções, mas deve lembrar que a democracia exige mais do que escolher um lado: exige responsabilidade com as consequências da própria escolha.

A eleição passa. As decisões de quem governa permanecem. E o voto consciente começa quando a reflexão fala mais alto que a polarização.

(*) ANDRÉ POZETI é Advogado, especialista em Direito Eleitoral, ex-juiz membro do Tribunal Regional Eleitoral de Mato Grosso (TRE-MT), na classe dos advogados, e membro da Comissão de Direito Eleitoral da OAB-MT.

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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