Artigos Segunda-feira, 06 de Junho de 2011, 09:54 - A | A

Segunda-feira, 06 de Junho de 2011, 09h:54 - A | A

Construção da Cultura da Paz

A doença mais grave e as dores mais agudas de um ser humano são as provenientes do descaso e do desamor, que por sua vez, provocam as maiores misérias na existência humana.

ENILDES CORRÊA

Gostaria de chamar a atenção dos parlamentares políticos e gestores públicos para a construção da Cultura da Paz na sociedade. Atualmente, as pessoas perderam a tranqüilidade em termos de segurança até mesmo dentro de suas próprias casas. As escolas para onde vão os nossos jovens são rondadas constantemente por traficantes à espreita de novas vítimas e o risco de qualquer um ser alvo e refém de indivíduos em estado de desequilíbrio mental está em cada esquina. Parece que está inversamente proporcional a linha de ascensão do progresso material e a paz social.

A realidade é que a sociedade como um todo está doente, a ponto de a Organização Mundial de Saúde (OMS), há mais de duas décadas, ter lançado um apelo para que todos se tornem um agente de saúde, pois o planeta inteiro está doente.

Contudo, apesar dessa triste e gritante realidade pular à frente dos nossos olhos quase que a todo momento, vemos pouca ou nenhuma ênfase por parte do poder público em nível do Legislativo, Executivo e Judiciário na construção da Cultura da Paz e em adotar medidas preventivas. É raro ouvirmos discursos políticos em prol das obras que transcendem o aspecto material da nossa existência, como por exemplo, atenção à saúde integral (física, mental e espiritual) do ser humano.

A tragédia da Escola do Realengo, no Estado do Rio de Janeiro, escancarou a necessidade premente de maior atenção do poder público em relação à importante questão da Cultura da Paz nas escolas e na sociedade como um todo.

Já foi dito por vários Profetas da humanidade que um único homem que esteja em estado de paz e harmonia, influencia todo o ambiente ao seu redor. Na vida, tudo é contagioso, quer seja a paz ou a guerra interior de cada indivíduo. Atos de violência, sejam quais forem, traduzem a insanidade de um indivíduo.

Entretanto, de modo geral, não existe a cultura da amizade e do cuidado com a vida na nossa sociedade. Desconhecemos até cuidados simples e básicos com a nossa própria saúde física, mental e espiritual, que poderiam evitar muitos sofrimentos à população, em especial, às camadas mais carentes. Dessa forma, a grande maioria vive ignorando algo essencial da nossa existência.

A doença mais grave e as dores mais agudas de um ser humano são as provenientes do descaso e do desamor, que por sua vez, provocam as maiores misérias na existência humana. Entretanto, esse problema que afeta a humanidade, costuma ser olhado como assunto de pouca relevância e, comumente, fica do lado de fora dos encontros e reuniões dos gestores públicos. Pelos danos irreparáveis que continuam sendo feitos à vida, constata-se que há uma cegueira geral que não permite o “óbvio” ser visto e muito menos ser compreendido. “Por uns velhos vãos motivos, somos cegos e cativos no deserto do universo sem amor”. (Taiguara).

As condições para uma vida saudável precisam ser revistas e reorganizadas dentro de uma visão holística, que contemple as várias dimensões da nossa existência. Torna-se emergencial atuar na direção do resgate do estado natural do ser humano: a harmonia. É esse estado de paz interior que nos leva a viver em unidade e equilíbrio com tudo e com todos, quer sejamos habitantes dos países do primeiro ou do terceiro mundo.

É passada a hora de olharmos com a mesma atenção o progresso material e a nossa educação e saúde integral. Pergunto-me o que mais ainda precisa acontecer para as autoridades governamentais encararem com a devida atenção e seriedade a necessidade de direcionar esforços para a educação e o equilíbrio do ser humano como ação preventiva e essencial na resolução da situação caótica que enfrentamos em termos de violência e também de destruição ambiental?

Quando é que Saúde, Educação, Segurança Pública, Meio Ambiente receberão prioridade de atenção e de investimentos financeiros como está acontecendo com tudo que diz respeito à COPA 2014, por exemplo? E que estranha contradição: o Estádio Governador José Fragelli, em perfeitas condições estruturais, um dos símbolos do futebol mato-grossense, foi destruído por conta das obras da COPA em Mato Grosso...

Precisamos avançar urgentemente no cuidado com a vida e na construção da Cultura da Paz na nossa sociedade. Caso contrário, o mundo do jeito que está, continuará a roubar os mais belos sonhos dos nossos jovens e a esmagar as melhores potencialidades desta e das futuras gerações.

Os gestores públicos em nível federal, estadual e municipal terão que se disponibilizar para ouvir e obter a cooperação dos vários segmentos da sociedade que querem contribuir para a construção de um mundo em que todos possam viver a vida cotidiana com melhor qualidade, segurança e tranqüilidade. Então, quem sabe, será um sonho possível manter a chama da confiança acesa dentro de nós e possamos confirmar o artigo quarto do Estatuto do Homem, do poeta Thiago de Mello:

“Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu”.

Namastê!

(*) BENEDITA ENILDES DE CAMPOS CORRÊA é Administradora e Terapeuta Corporal Ayurveda. Prof. de Yoga com formação e especialização na Índia. Ministra seminários vivenciais de Humanização da Convivência a organizações governamentais e privadas. Autora de Vida em Palavras – coletânea de crônicas. E-mail: omsaraas@terra.com.br

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