Artigos Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011, 17:00 - A | A

Sexta-feira, 23 de Dezembro de 2011, 17h:00 - A | A

Caixa preta

No início do século XXI, o governo que assumiu o comando político do Estado, implicou com duas coisas: o tênis usado pelos políticos jovens que deixavam o poder para os ruralistas usuários de botas e com uma misteriosa mala preta que nunca foi encontrada

GABRIEL NOVIS NEVES

 

Steffano Scarabottolo

 

No início do século XXI, o governo que assumiu o comando político do Estado, implicou com duas coisas: o tênis usado pelos políticos jovens que deixavam o poder para os ruralistas usuários de botas e com uma misteriosa mala preta que nunca foi encontrada.

Quando da morte do suposto dono da mala preta, o governador pediu desculpas à família enlutada, dizendo que a história da mala era uma jogada de desconstrução de um governador que deixou o governo arrumado para os migrantes afoitos pelo poder.

O novo governo se auto-intitulou como o governo de quebra de paradigmas. Nunca votei nos meus amigos do tênis e, em nome da renovação, votei nos botinudos.

Aceitei por um curto prazo de tempo exercer funções no primeiro escalão do governo das botinas. Deixei o governo por posicionamento no campo de trabalho. Só por isso. Sem mágoas ou rancores.

Encerrei, por pura frustração, a minha participação em cargos públicos, mas não deixei de exercer a minha cidadania em outra trincheira - o jornalismo amador, orientado por grandes mestres.
Continuei tocando também a minha profissão de médico. Sempre tive profissão definida e residência conhecida.

Oito anos são passados desses fatos superficialmente relatados e os botinudos não existem mais. Trocaram as pesadas botas por calçados italianos, tratores por BMW, casa no campo por mansões no Manso e em várias capitais brasileiras. Todos respiram o ar da rápida prosperidade.

Ninguém fala mais em quebra de paradigmas. O governo da continuidade herdou o que havia sido extinto de Mato Grosso, que era o Estado Curral.

Com a modernidade fala-se com a maior naturalidade em loteamento do poder. Voltamos à época das capitanias hereditárias. Cada grupo político toma conta de uma.

Para que tudo funcionasse bem, houve a compreensão dos outros poderes, que muito ajudaram a estruturar o novo modelo de governo de quebra de paradigmas.

Estrutura perfeita enquanto durou. A mala apareceu com uma série inacreditável de utensílios utilizados no governo anterior.

Foi encontrado desde maquiagem para iludir a aplicação dos repasses constitucionais para saúde e educação, até notas fiscais complicadas, da maior compra de tratores para se ganhar uma eleição.

Os tratores não existem mais, após trabalharem até em fazendas fora de Mato Grosso. Os esclarecimentos sobre o valor das compras continuam.

Agora estoura, ou torna-se do conhecimento público, por intermédio da operação Cartas Marcadas, o maior escândalo da história política de Mato Grosso.

O Presidente do Poder Legislativo de Mato Grosso pede explicações ao ex-governador que se mantém em silêncio olímpico.

Tem tanta gente envolvida com essas cartas, que até parece coisa de baianos que interpretam como ninguém a leitura das cartas.

Dezembro, por aqui, está parecendo o setembro dos muçulmanos, quando velhos aproveitadores do tesouro do Estado foram mandados embora, sendo alguns para outra vida.

A revolta da população mato-grossense é tamanha, que acho difícil que esse imbróglio termine em pizza.

E caixa preta? Seria para guardar as Cartas Marcadas?

(*) GABRIEL NOVIS NEVES é médico, professor universitário fundador da UFMT e colaborador de HiperNoticias. E-mail: borbon@terra.com.br

Os artigos assinados são de responsabilidade dos autores e não refletem necessariamente a opinião do site de notícias www.hnt.com.br

 

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