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Variedades Quarta-feira, 15 de Abril de 2026, 11:30 - A | A

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Quarta-feira, 15 de Abril de 2026, 11h:30 - A | A

Wagner Moura é eleito uma das 100 personalidades mais influentes do mundo pela revista 'Time'

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

Indicado ao Oscar de Melhor Ator por O Agente Secreto, Wagner Moura foi um dos escolhidos pela revista Time para integrar a lista de 100 personalidades mais influentes da atualidade. Assinado pela jornalista e crítica de cinema Stephanie Zacharek, o texto da publicação destaca o engajamento político do ator e sua capacidade de dar nuances aos seus personagens nos vários gêneros em que já trabalhou.

"Tudo o que eu faço é verdadeiro. Arte é verdade", declarou Moura à jornalista. "O que me assusta é que a verdade como conhecemos acabou. Fatos não importam mais. Quando falamos de polarização, falamos sobre a criação de universos e narrativas paralelas. Não vivemos mais no mesmo espaço mental dos outros", opinou, dizendo que discussões políticas atuais não são mais pautadas em ideologias, mas em "versões da verdade".

Além do brasileiro, a Time escolheu outros grandes astros de destaque nos últimos anos para a lista. O nome de Moura aparece ao lado dos da vencedora do Oscar Zoe Saldaña, da comediante Nikki Glazer, das atrizes Keke Palmer, Dakota Johnson e Claire Danes, da escritora Freida McFadden e das medalhistas olímpicas Alysa Liu e Hilary Knight.

Na entrevista, Moura reforça sua visão sobre a arte como arma contra o totalitarismo, lembrando que artistas, jornalistas e acadêmicos costumam ser os primeiros alvos desses regimes. "Quando governos totalitários atacam acadêmicos, artistas e jornalistas - isso não é por acaso, certo?"

Cidadão norte-americano desde 2023, o ator também refletiu sobre a administração atual dos Estados Unidos, cujas ações internas e externas têm causado protestos por todo o país. "Governos vêm e vão, mas, para mim, os EUA é um país que recebe pessoas do mundo todo, que foi construído com base na imigração."

"Claro que o país está polarizado", seguiu Moura. "Mas há uma diferença entre o governo no comando neste momento e a alma da nação. Donald Trump representa muito do que os EUA são. Mas os EUA não são só isso, nem de longe. Este é o país de Martin Luther King, de Rosa Parks, de tantos lutadores pela liberdade que exportaram suas ideias para o resto do mundo."

Na entrevista, o astro destacou como sua formação como jornalista - profissão que ele admite não ter a objetividade necessária para exercer - influenciou sua trajetória como ator. "O jornalismo me moldou muito como artista, como pessoa, como cidadão. E existe uma noção de criar empatia: quanto mais você sabe sobre as coisas, mais empatia você tem. É só isso. E isso é o que a atuação deveria ser."

A conexão de Moura com suas raízes brasileiras, seja mantendo seu sotaque ou exigindo que seus personagens em Hollywood sejam escritos como nascidos no Brasil, também foi ressaltada pelo texto de Zacharek, que destacou seu papel recente em Star Wars: Maul - Lorde das Sombras, nova animação da franquia criada por George Lucas.

"É inegavelmente interessante e louco ter um brasileiro como parte do universo Star Wars, porque, para mim, essa é uma galáxia muito, muito distante", disse o ator, antes de comentar a felicidade que sentiu ao ver Diego Luna integrar a franquia em Star Wars: Rogue One e Andor sem alterar seu sotaque. "Acho que significou muito para os latinos do mundo poder dizer meu Deus, nós também podemos fazer parte disso!"

Tributo de Jeremy Strong

Além do texto de Zacharek, Moura também ganhou um curto tributo escrito por Jeremy Strong, ator vencedor do Emmy por Succession e membro do júri do Festival de Cannes que premiou o brasileiro por seu trabalho em O Agente Secreto.

"Há muito tempo uma lenda no Brasil, ele ocupa o palco global já tem um tempo. Mas, neste último ano, Moura abriu um buraco no teto do mundo", escreve Strong, dizendo que assistiu ao filme de Kléber Mendonça Filho com "admiração e reverência".

Strong ainda lembrou que, na mesma edição de Cannes, Robert De Niro fez um discurso no qual afirmou que "fascistas devem temer a arte". "De Niro estava falando de artistas como Moura, o tipo de artistas que precisamos agora mais do que nunca."

"Moura entende que a democracia e a liberdade são coisas pelas quais você precisa lutar todos os dias (uma ideia que nosso país frequentemente sonolento está rapidamente entendendo). Moura não teme usar o poder de humanização e mobilização da arte como arma", elogiou Strong. "De O Agente Secreto à sua estreia como diretor em Marighella (uma acusação contra a ditadura militar brasileira) ao seu trabalho nos palcos no ano passado em Um Julgamento: Depois do Inimigo do Povo, de Henrik Ibsen (o quanto você está disposto a lutar pela verdade) - ele é uma força política e humana, um conjunto que precisamos desesperadamente ver mais."

Próximos projetos

Após a temporada cheia de prêmios de O Agente Secreto, Moura tem vários outros trabalhos engatilhados para 2026. Nos cinemas, ele trabalha em Last Night at the Lobster, seu próximo filme como diretor e que ele descreve como "um filme de Natal político".

À frente das câmeras, ele estrelará a ficção científica de terror 11817, que será lançada na Netflix.

Por fim, Moura se prepara para levar uma nova montagem de Um Julgamento: Depois do Inimigo do Povo para a Europa.

O Agente Secreto está disponível para streaming na Netflix.

(Com Agência Estado)

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