Os detalhes do entendimento ainda não foram divulgados, mas o acordo encerra a ação relacionada às regras de concorrência movida pelo grupo de estados para impedir a operação.
A negociação ocorreu antes de 1º de outubro, quando a Paramount começaria a acumular uma multa contratual de 7 milhões de dólares (cerca de R$ 36 milhões) por dia, segundo informações divulgadas pela Bloomberg, pelo Wall Street Journal e confirmadas pela Variety.
A operação, avaliada em 111 bilhões de dólares (cerca de R$ 572 bilhões), é considerada a maior fusão da história de Hollywood. O negócio estava suspenso enquanto a disputa relacionada às regras de concorrência não fosse resolvida.
Por que a aquisição foi parar na Justiça?
O grupo formado por 12 estados é liderado pelo procurador-geral da Califórnia, Rob Bonta. As autoridades entraram com uma ação em julho para tentar impedir a aquisição, mesmo depois do Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter aprovado a operação.
O processo alegava que a fusão poderia reduzir a concorrência nos mercados de televisão por assinatura e de cinema. Segundo os estados, a operação poderia resultar em preços mais altos e menos opções para empresas de exibição e para operadoras de TV a cabo e via satélite, com possível repasse dos custos aos consumidores.
Em julho, a juíza Araceli Martinez-Olguin concedeu uma ordem de restrição de 28 dias e avaliou que os estados haviam apresentado argumentos relevantes sobre possíveis impactos da operação na concorrência.
Na sequência, a Paramount concordou em suspender o negócio até a realização do julgamento sobre o mérito da ação, que estava marcado para 2 de março de 2027.
O que foi discutido no acordo?
Embora os termos ainda não tenham sido divulgados, as negociações envolveram compromissos da Paramount com a permanência de operações na Califórnia e com os níveis de produção.
Outro ponto discutido foi a supervisão editorial da CBS e da CNN, uma preocupação apresentada pelos procuradores-gerais da Costa Leste.
Antes do acordo, Bonta defendia a adoção de medidas estruturais para reduzir possíveis efeitos anticompetitivos da fusão. A posição foi interpretada como uma defesa de mudanças significativas na estrutura das empresas, incluindo possíveis desinvestimentos.
A Paramount também pressionou pela retirada da ação. Nas últimas semanas, a companhia chegou a ameaçar transferir suas operações da Califórnia para o Texas ou o Tennessee. Parlamentares democratas estaduais foram mobilizados para defender um acordo, enquanto sindicatos e entidades do setor, como IATSE e Directors Guild of America, também pressionaram pela resolução da disputa.
O que a Paramount diz sobre a fusão?
Desde o início da disputa, a Paramount sustenta que a aquisição aumentaria a concorrência e permitiria ampliar a produção de conteúdo. A empresa afirma que a operação ajudaria a enfrentar plataformas de streaming como Netflix e Amazon.
O setor de exibição de filmes também mudou de posição durante a disputa. A Cinema United, entidade que representa os cinemas nos Estados Unidos, inicialmente se opôs à fusão.
Depois que AMC, Cinemark e Regal, três das maiores empresas do setor, passaram a apoiar um acordo, a organização também mudou de posição e defendeu a resolução da ação.
Sindicato dos roteiristas ainda questiona operação
A ação dos procuradores-gerais não era o único processo contra a aquisição. A Writers Guild of America (WGA), sindicato que representa roteiristas nos Estados Unidos, também entrou com uma ação em julho para tentar impedir a operação.
O processo da WGA estava previsto para ser analisado junto com a ação dos estados em março de 2027. Ainda não estava claro qual seria a posição do sindicato após o acordo anunciado entre a Paramount e os procuradores-gerais estaduais.
Com o entendimento, a disputa liderada pelos estados deixa de ser um obstáculo para o avanço da aquisição, mas ainda existem questões relacionadas aos demais processos e às condições para a conclusão da operação.
(Com Agência Estado)
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