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Variedades Quinta-feira, 23 de Julho de 2026, 13:30 - A | A

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Quinta-feira, 23 de Julho de 2026, 13h:30 - A | A

De tradição no futebol a gigante do cinema: velório de Barretão celebra trajetória histórica

CONTEÚDO ESTADÃO
da Redação

A despedida de Luiz Carlos Barreto, um dos maiores nomes da história do audiovisual brasileiro, foi marcada não apenas pelas homenagens à sua extensa carreira no cinema, mas também por uma curiosidade que atravessou gerações do esporte. Durante o velório, realizado nesta quinta-feira, 23, no Rio de Janeiro, o filho do cineasta, Bruno Barreto, contou que descobriu por meio de uma reportagem de O Globo que o pai teve participação decisiva na criação de um dos gestos mais emblemáticos das conquistas esportivas: o ato de erguer a taça acima da cabeça.

O costume, repetido por campeões de diferentes modalidades ao redor do mundo, surgiu na Copa do Mundo de 1958, quando Luiz Carlos Barreto, então fotógrafo da revista O Cruzeiro, incentivou o capitão Bellini a levantar a Jules Rimet para que a cena pudesse ser fotografada em meio à multidão de jornalistas. O gesto se tornou uma tradição esportiva e atravessou décadas, sendo reproduzido até hoje por atletas em competições nacionais e internacionais.

O velório ocorreu no Palácio da Cidade, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro. A cerimônia reuniu familiares, amigos e personalidades que foram prestar a última homenagem ao produtor, diretor e fotógrafo, considerado um dos principais responsáveis pela consolidação do cinema brasileiro dentro e fora do País.

Lucy Barreto, de 93 anos, viúva do cineasta, e o diretor Bruno Barreto, de 71, foram os primeiros familiares a chegar ao local. Entre os presentes também estavam nomes como Rosane Svartman, Guel Arraes e Fernando Gabeira. Após a cerimônia, o corpo será cremado no Memorial do Caju.

'O maior legado dele foi a complexidade'

Em conversa com a imprensa, Bruno Barreto preferiu destacar não apenas as conquistas profissionais do pai, mas principalmente suas características humanas. Segundo ele, Luiz Carlos Barreto era uma pessoa intensa, capaz de discutir com firmeza, mas sempre disposto à reconciliação poucos minutos depois.

"O papai era uma pessoa muito afetiva. Ele podia brigar com você de vida ou morte e, cinco minutos depois, te abraçava. Fazia as pazes. Era um cara passional, mas, ao mesmo tempo, muito racional", afirmou.

O diretor também lembrou que o pai carregava uma profunda paixão pelo Brasil, construída a partir de vivências muito distintas. Nascido em Sobral, no interior do Ceará, Luiz Carlos Barreto viveu de perto as dificuldades do sertão antes de se mudar para o Sudeste, mas nunca perdeu o interesse por conhecer outras culturas e viajar pelo mundo.

A influência de Assis Chateaubriand

Durante o relato, Bruno ainda contou que esse olhar cosmopolita teve forte influência de Assis Chateaubriand, fundador dos Diários Associados e uma das figuras mais importantes da comunicação brasileira.

Segundo ele, o empresário ocupou um papel afetivo importante na vida do cineasta, que perdeu o pai quando tinha apenas três anos. "Ele era um nordestino do interior do Ceará, mas, ao mesmo tempo, uma pessoa muito cosmopolita. Acho que isso foi uma herança de uma espécie de pai adotivo que ele teve, o doutor Assis Chateaubriand. Meu pai perdeu o pai muito cedo, aos três anos de idade."

Antes de construir uma das carreiras mais importantes do cinema nacional, Luiz Carlos Barreto trabalhou como repórter fotográfico da revista O Cruzeiro, publicação pertencente aos Diários Associados. Foi nesse período que desenvolveu sua formação como jornalista e fotógrafo, convivendo de perto com Chateaubriand, a quem sempre atribuiu parte de sua formação intelectual.

Um legado que ultrapassa o cinema

Com mais de seis décadas dedicadas ao audiovisual, Luiz Carlos Barreto participou do movimento Cinema Novo e esteve por trás de produções que marcaram a história do país, como Vidas Secas, Terra em Transe, O Quatrilho e O Que É Isso, Companheiro?.

Sua trajetória, porém, ultrapassa as telas. Seja pela contribuição ao fotojornalismo, pela valorização do cinema brasileiro ou pelo gesto que ajudou a eternizar nas comemorações esportivas, Barretão deixa um legado que continua presente tanto na cultura quanto no imaginário popular.

(Com Agência Estado)

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