Segunda-Feira, 01 de Junho de 2020, 09h:08

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Pôssas diz que Cuiabá carrega saúde de MT nas costas e pede para Mendes parar de pensar em eleição

Por: KHAYO RIBEIRO

O secretário municipal de Saúde de Cuiabá, Luis Antônio Pôssas Carvalho, questionou a conduta adotada pelo governo do Estado durante este período de pandemia da Covid-19, o coronavírus, e pediu para que o governador Mauro Mendes (DEM) parar de pensar em eleição. A fala de do gestor foi feita após críticas do chefe do Executivo estadual e do secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figueiredo, dirigidas a gestão da Capital – que, de acordo com Pôssas, carregaria a saúde a saúde de Mato Grosso nas costas.

REPRODUÇÃO

LUIZ ANTONIO POSSAS DE CARVALHO

Secretário municipal de Saúde, Luis Antônio Pôssas Carvalho

Os apontamentos do secretário, proferidos por meio de um artigo de opinião, denunciam que “factoides eleitorais” têm encobrido a confusa, oportunista e genocida na saúde executada pelo governo estadual. Em contrapartida, segundo Pôssas, Cuiabá desde o início apresentou uma política clara de enfrentamento à pandemia, ainda que hoje a Capital seja líder em casos de contágio pelo novo coronavírus em Mato Grosso e seja a segunda cidade em número de mortos pela doença no estado.

“Já o governador ficou à deriva do vento, como biruta de aeroporto. Perdido, primeiro quis liberar geral para os empresários; aí viu que estava pegando mal e recuou. Agora, resolveu ocultar sua falta de planejamento superdimensionando o papel do Hospital Metropolitano para fazer o de sempre: atacar o prefeito”, disse Pôssas.

“Com tanta coisa para cuidar, governador Mauro Mendes e doublé de candidato, Gilberto Figueiredo, parem de pensar em eleição! Se Cuiabá está se saindo bem nessa luta tão difícil, isso também é bom para o estado. Ou deveria ser”, acrescentou.

Os gestores tanto da Capital quanto do estado têm intensificado a troca de farpas nas últimas semanas. Os estopins dos desentendimentos têm variado desde a falta de clareza quanto a leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs) até a ausência de compromisso no diálogo e, mais recentemente, a suposta desatenção da Central de Regulação que teria resultado na morte de pacientes com coronavírus.

“E de imediato, os dois têm que explicar à sociedade o que se passou em Várzea Grande. A nota oficial da SES explica burocraticamente o papel da Central de Regulação, mas não responde objetivamente o que levou as vítimas a óbito. Informação tipicamente vaga e pro forma. O que aconteceu, finalmente? De quem é a culpa?”, questiona o secretário diante dos óbitos de vítimas que teriam entrado com solicitação para ocupar leito de UTI e supostamente teriam tido o pedido negado.

Na medida em que se elevam os desencontros de opinião entre os gestores, os números totais relativos à pandemia tanto em Cuiabá quanto em Mato Grosso também crescem, seja em casos e contágio seja em quantidade de óbitos.

Segundo dados da secretaria de Estado de Saúde, Mato Grosso registra mais de 2,4 mil casos, dos quais 747 são só de Cuiabá. Ao todo, 63 óbitos já foram notificados pela pasta, sendo que dez são da Capital.

Ainda que destituído do poder de determinar como o comércio deve se comportar durante a pandemia após decisão da Justiça, o governo de Mato Grosso de recomendações para orientar a forma como as prefeituras deveriam lidar com as atividades comerciais em suas respectivas cidades. Por meio de decreto, Mendes sugeriu que nenhuma medida mais energética, como fechamento do comércio por exemplo, fosse realizada enquanto a capacidade de ocupação de leitos para Covid-19 seguir abaixo dos 60%. Após orientação, a prefeitura de Cuiabá iniciou o processo de flexibilização para retomada gradual da economia.

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